Infraero prepara licitação em Cumbica; comandante defende Campo de Marte
da Folha Online
Uma licitação irá decidir, nos próximos meses, quem construirá um terceiro terminal de passageiros no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo). De acordo com o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, as condições serão publicadas "em breve" no "Diário Oficial" da União.
Pereira afirmou que a obra irá elevar em cerca de 4 milhões a capacidade de fluxo de passageiros por ano no terminal.
Para o brigadeiro, mesmo com a ampliação da capacidade do aeroporto de Guarulhos, nos próximos 15 anos, será necessário construir um terceiro terminal de grande porte em São Paulo e reafirmou que o projeto está sendo estudado. Pereira afirmou que o novo terminal poderia ficar, por exemplo, na Baixada Santista.
Na opinião do presidente da Infraero, uma medida que aliviaria o tráfego dos aeroportos de Cumbica e de Congonhas (zona sul) seria colocar em prática o projeto de construir um trem de alta velocidade que ligue a capital paulista a Campinas (95 km a noroeste de São Paulo), onde fica o aeroporto de Viracopos.
Críticas
Os projetos do brigadeiro foram criticados pelo comandante Décio Corrêa, piloto comercial e conselheiro da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Para ele, as idéias de instalar o novo aeroporto de São Paulo em outra cidade ou de desafogar o movimento na cidade de São Paulo por Viracopos são "absurdas" e "ultrapassadas".
Corrêa defende que a reestruturação aeroportuária comece, em São Paulo, pela reavaliação do papel do Campo de Marte (zona norte). Para ele, seria possível colocar diversas pistas em funcionamento no terminal em menos de dois anos e, desta forma, retirar de Congonhas "até 50% de seu movimento diário".
O presidente da Infraero afirmou que o desvio de um grande volume de tráfego aéreo para o Campo de Marte é impossível devido a questões ambientais e à perturbação dos moradores do entorno do terminal.
"Se não implantarmos soluções, nós teremos mesmo é que relaxar e gozar", afirmou em referência à declaração que a ministra do Turismo, Marta Suplicy, deu na semana passada. Ela recomendou aos passageiros atingidos pela crise aérea que "relaxem e gozem".
Escalas
No seminário, o presidente da Infraero ainda criticou as empresas aéreas por incluírem muitas escalas em seus vôos. Segundo ele, a prática de realizar muitas paradas, embora diminua os gastos para as companhias aéreas, contribui para a ocorrência de atrasos sequenciais na malha aérea nacional.
Ele defende que as empresas passem a realizar vôos mais longos, fora dos horários de pico.
O brigadeiro e o comandante participaram na manhã desta segunda do seminário "Um Novo Modelo de Gestão do Transporte Aéreo", da Fundação Liberdade e Cidadania, do DEM (Democratas).
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