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Cotidiano
21/06/2007 - 08h52

Aeroportos operam com maior intervalo entre vôos; há atrasos

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da Folha Online

Os passageiros voltam a enfrentar problemas nos aeroportos na manhã desta quinta-feira, pelo terceiro dia consecutivo. Desde o início da manhã, as decolagens são feitas com maior intervalo, por determinação da Aeronáutica. As viagens para Minas, Brasília, Nordeste e Norte do país são as mais afetadas.

O motivo do espaçamento ainda não foi confirmado. No final da tarde de quarta (20), uma pane na freqüência da Embratel no setor norte de Brasília, na direção de Manaus, prejudicou a comunicação do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) e provocou a suspensão da operação em quase todos os aeroportos do país por aproximadamente meia hora.

Segundo a Infraero (estatal que administra os aeroportos), 116 dos 400 vôos programados para ocorrer da 0h às 8h sofreram atrasos superiores a uma hora no país --29% do total. De acordo com o balanço, o maior número de vôos afetados está em Recife (PE), onde 12 dos 18 vôos previstos para o horário sofreram atrasos (66,6% do total). Em Fortaleza, a espera atingiu 12 dos 20 vôos previstos --60% do total.

Aeroportos

No aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos, região metropolitana), 11 das 41 partidas programadas tiveram atrasos superiores a uma hora, da 0h às 8h15.

Em Congonhas (zona sul de São Paulo), das 5h30 às 7h52, eram registrados atrasos com mais de 45 minutos em 3 dos 34 vôos programados para o período.

Mastrangelo Reino/Folha Imagem
Passageiros dormem enquanto aguardam vôo em Guarulhos
Passageiros dormem enquanto aguardam vôo em Guarulhos

Em Brasília, da 0h às 8h20, havia atrasos de mais de uma hora em cinco dos 13 vôos programados.

De acordo com a Infraero, o chamado "seqüenciamento" foi estabelecido com um intervalo de 20 minutos para as regiões Norte e Nordeste e a cada sete minutos para o Sul. Em Guarulhos, por exemplo, as decolagens ocorrem normalmente, com intervalos de dois a cinco minutos, de acordo com a Infraero.

A reportagem entrou em contato com o Setor de Comunicação da Aeronáutica para confirmar as causas da ampliação dos intervalos entre as decolagens, mas ainda não obteve retorno.

Pane

No final da tarde de quarta, as operações de pouso e decolagens foram prejudicadas por uma queda nas freqüências, que deixou o Cindacta-1, com sede em Brasília, sem comunicação. O problema foi atribuído a uma falha da Embratel.

A pane, que marcou uma nova crise no setor, causou atrasos em séries nos aeroportos. Na terça, problemas foram classificados pela Aeronáutica como operação-padrão "velada" dos controladores de tráfego aéreo --negada pelos profissionais em nota divulgada Febracta (Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo), que representa 11 entidades da categoria. Para os controladores, os problemas foram causados por desgaste natural dos equipamentos.

Na tarde de quarta, o diretor do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), brigadeiro Ramon Borges Cardoso, confirmou em audiência na CPI do Apagão Aéreo do Senado que dez monitores de controle de vôos do Cindacta-1, em Brasília (DF), foram trocados. No entanto, um controlador de tráfego aéreo disse à Folha Online que os equipamentos ainda não estavam em funcionamento e que um deles havia sido instalado para teste. A reportagem também apurou que as freqüências já teriam apresentado problemas pela manhã.

Prisão

Também na quarta, o Comando da Aeronáutica determinou a prisão do controlador de tráfego aéreo Carlos Trifilio, de São Paulo, por dar entrevistas à imprensa. De acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira), a detenção foi determinada porque o controlador é um militar e precisa de autorização para falar a qualquer veículo de comunicação.

A punição será aplicada a partir de segunda-feira (25) e deve durar quatro dias, de acordo com a Aeronáutica. No entanto, a Folha Online apurou que o controlador pode ter concedido entrevistas a vários veículos e com isso sua punição pode chegar a 20 dias.

No fim de março, uma paralisação promovida pelos controladores de tráfego aéreo levou caos aos aeroportos. O motim, que praticamente paralisou o espaço aéreo brasileiro, teve como estopim a transferência de um sargento do Cindacta-1 --e diretor de mobilização da categoria-- para um pequeno destacamento em Santa Maria (RS). Na ocasião, havia temor de mais transferências ou prisões.

A crise no setor aéreo ocorre desde a queda do Boeing da Gol, que causou a morte de 154 pessoas, no final de setembro do ano passado.

Com LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online

 

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