Aeroportos operam com maior intervalo nos vôos; atrasos permanecem
da Folha Online
Três dos maiores aeroportos do país estão sob seqüenciamento, na tarde desta quinta-feira. O seqüenciamento acontece quando o controle de tráfego aéreo nacional impõe um intervalo mínimo entre as decolagens. O motivo do espaçamento ainda não foi confirmado. Durante toda a manhã, a FAB (Força Aérea Brasileira) negou a operação.
De acordo com a Infraero (estatal que administra os aeroportos), no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos, desde as 9h15, as decolagens com destino ao Nordeste saem a cada dez minutos; e as com destino ao Norte, a cada cinco. Mais cedo, das 6h25 às 9h15, a medida atingiu também os vôos com destino ao Sul.
Às 14h, atrasos superiores a três horas atingiam sete pousos e atrasos superiores a uma hora atingiam cinco pousos e 12 decolagens.
No aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, os vôos que seguem para a cidade de Belo Horizonte (MG) e para o Nordeste saem apenas a cada dez minutos. Às 14h, havia dez pousos e seis decolagens atrasados em mais de uma hora. O caso mais grave era de um vôo da Gol de Macapá (AP) que deveria ter chegado às 8h35.
No aeroporto Presidente Juscelino Kubitschek, em Brasília, desde as 11h40, os vôos para o Nordeste, para Minas e para o Rio saíam somente a cada dez minutos. Ainda às 14h, havia oito pousos e seis decolagens atrasados em mais de uma hora.
No Rio, não há informações sobre seqüenciamento. Às 14h, o Tom Jobim tinha cinco pousos atrasados em mais de três horas e 13 atrasados em mais de uma hora. Entre as decolagens, quatro estavam atrasadas em mais de três horas e 12, em mais de uma. No Santos Dumont, a situação era normal, exceto por cinco cancelamentos.
Pane e prisão
No final da tarde de quarta, as operações de pouso e decolagens foram prejudicadas por uma queda nas freqüências que deixou o Cindacta-1 sem comunicação. O problema foi atribuído a uma falha da Embratel.
No dia anterior, todas as decolagens nos aeroportos do Rio e de Minas foram suspensas e o espaçamento entre vôos de São Paulo e Brasília foi estendido para 30 minutos. Segundo os controladores de tráfego aéreo, as medidas --que iniciaram a atual série de atrasos-- foram necessárias devido a uma falha nos monitores do Cindacta-1. Os equipamentos tiveram que ser substituídos. Para a Aeronáutica, o que houve foi uma operação-padrão "velada".
Também na quarta-feira, o Comando da Aeronáutica determinou a prisão do controlador de tráfego aéreo Carlos Trifilio, de São Paulo, por dar entrevistas à imprensa. De acordo com a FAB (Força Aérea Brasileira), a detenção foi determinada porque o controlador é um militar e precisa de autorização para falar a qualquer veículo de comunicação. Trifilio é presidente da Febracta (Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo).
O controlador deverá ficar preso a partir de segunda-feira (25), durante quatro dias. No entanto, a Folha Online apurou que o controlador pode ter concedido entrevistas a vários veículos e com isso sua punição pode chegar a 20 dias.
Motim
No fim de março, uma paralisação promovida pelos controladores de tráfego aéreo levou caos aos aeroportos. O motim, que praticamente paralisou o espaço aéreo brasileiro, teve como estopim a transferência de um sargento do Cindacta-1 --e diretor de mobilização da categoria-- para um pequeno destacamento em Santa Maria (RS). Na ocasião, havia temor de mais transferências ou prisões.
A crise no setor aéreo ocorre desde a queda do Boeing da Gol, que causou a morte de 154 pessoas, no final de setembro do ano passado.
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