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Cotidiano
22/06/2007 - 15h34

Aeroportos têm atrasos; Aeronáutica atribui problemas a controladores

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da Folha Online

As decolagens feitas a partir de São Paulo para regiões de Minas e para o Nordeste ainda são afetadas, na tarde desta sexta-feira, pelo chamado seqüenciamento --quando o controle de tráfego aéreo nacional impõe um intervalo mínimo entre as decolagens que é maior que o normal. Há atrasos em série nos aeroportos do país. Na tarde desta sexta, o Comando da Aeronáutica atribuiu os problemas a um grupo de controladores do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), com sede em Brasília.

"De forma intransigente, um pequeno grupo desses sargentos controladores passou a recusar o trabalho em equipamentos disponibilizados para a atividade de controle, mesmo em flagrante choque com os pareceres da área técnica, que asseguravam a plena qualidade do serviço", diz nota assinada pelo comandante da Aeronáutica, Juniti Saito.

Segundo ele, a postura é adotada sempre em horários de pico no tráfego aéreo, o que "resultou na diminuição do número de aeronaves controladas por eles a partir de Brasília e consideráveis atrasos em inúmeros vôos pelo Brasil afora". Saito afirmou que serão afastados os líderes do movimento. O comandante não informou nomes nem a quantidades de militares que poderão ser punidos em decorrência de supostas ações que contrariam as regras militares. Seriam aproximadamente 15 pessoas.

Apu Gomes/Folha Imagem
Passageiro protesta no check-in de Cumbica devido a atrasos em vôos
Passageiro protesta no check-in de Cumbica devido a atrasos em vôos

A reportagem apurou que, nos últimos dias, os controladores voltaram a reclamar de falhas nos consoles (monitores), que resultariam em falta de segurança para o trabalho.

Em meio à nova crise do setor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a Aeronáutica a agilizar os inquéritos militares contra os controladores de tráfego aéreo e prender os líderes, qualificados pela FAB como "sabotadores", revelou reportagem (só para assinantes) de Eliane Cantanhêde publicada na edição desta sexta-feira da Folha.

A decisão gerou tensão entre os controladores. Nesta semana, a Aeronáutica determinou a prisão administrativa de ao menos dois líderes dos controladores --o que promete ser apenas o início da onda de detenções. Foram punidos o presidente da Febracta (Federação Brasileira das Associações de Controladores de Tráfego Aéreo), Carlos Trifilio, e o vice-presidente da federação, Moisés Gomes de Almeida, por concederem entrevistas à imprensa sem autorização --eles são submetidos ao Código Militar.

Nesta sexta, o ministro da Defesa, Waldir Pires, esteve reunido com integrantes da CPI do Apagão Aéreo da Câmara e foi alertado sobre o risco de a crise aérea ficar ainda pior se não houver uma intervenção na falta de diálogo entre controladores de tráfego aéreo e a Aeronáutica.

Balanço

Balanço divulgado pela Infraero (estatal que administra os aeroportos) mostra problemas --atrasos ou cancelamentos-- em 38% dos vôos programados para ocorrer da 0h às 15h no país.

De acordo com a estatal, o aeroporto com maior número de atrasos é o de Confins (MG), onde 65,1% dos 43 vôos programados sofreram atrasos de mais de uma hora e quatro foram cancelados.

Os aeroportos do Nordeste também enfrentam problemas. O balanço mostra que a espera afetou 53,2% dos 62 vôos programados para ocorrer em Salvador; 55,5% dos 36 vôos previstos para Recife; e 52,9% dos 34 vôos previstos para Fortaleza.

Em São Paulo, a espera afetou 20,5% das 136 vôos programados no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos, região metropolitana). As decolagens em Cumbica e em Congonhas (zona sul de São Paulo) saem com intervalo de 20 minutos para Belo Horizonte e para o Nordeste, devido ao o chamado seqüenciamento.

No Rio, a espera atingiu 36,3% dos 99 vôos programados para o Tom Jobim.

Seqüência de problemas

Desde terça-feira (19), os problemas enfrentam seguidos problemas nos aeroportos. Na ocasião, as decolagens nos aeroportos do Rio e de Minas foram suspensas e o espaçamento entre vôos de São Paulo e Brasília foi estendido para 30 minutos. Segundo os controladores de tráfego aéreo, as medidas --que iniciaram a atual série de atrasos-- foram necessárias devido a uma falha nos monitores do Cindacta-1. Os equipamentos tiveram que ser substituídos. Para a Aeronáutica, o que houve foi uma operação-padrão 'velada'.

No final da tarde de quarta (20), as operações de pouso e decolagens foram prejudicadas por uma queda nas freqüências que deixou o Cindacta-1 sem comunicação. O problema foi atribuído a uma falha da Embratel. A empresa afirma que ainda faz uma avaliação técnica dos sistemas que atendem a Infraero para, depois, se pronunciar.

Na quinta, os aeroportos de São Paulo passaram a operar com o chamado seqüenciamento. O aeroporto de Brasília também chegou a admitir a operação. À noite, a FAB (Força Aérea Brasileira) afirmou, em nota, que o excesso de tráfego aéreo levou à restrição de decolagens em São Paulo e no Rio.

Com LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online

 

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