Cotidiano
26/06/2007 - 15h33

Suspeitos de agressão se recusam a fazer acareação e devem ser transferidos

da Folha Online
da Folha de S. Paulo

Os cinco rapazes indiciados por espancar a doméstica Sirley Dias Carvalho Pinto, 32, no Rio, se recusaram a participar de uma acareação nesta terça-feira. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Rio, eles serão transferidos para a carceragem da Polinter (Polícia Interestadual), na praça Mauá, centro da cidade, e, depois, devem ser levados para presídios comuns, já que nenhum possui o ensino superior completo.

Na delegacia, a doméstica teria reconhecido quatro dos jovens como envolvidos na agressão. A vítima foi espancada e roubada por volta das 4h30 de sábado (22) quando estava em um ponto de ônibus na avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca (zona oeste). Ela havia saído cedo de casa para ir ao médico.

A partir da placa do carro usado pelos rapazes, anotada por um taxista que testemunhou a agressão, a polícia prendeu o primeiro suspeito --o estudante de direito Felipe Mecedo Nery Neto, 20-- ainda no fim de semana. Ele admitiu o espancamento, disse que o grupo pensava que a vítima fosse uma prostituta e deu os nomes dos demais rapazes.

Além dele, estão presos o universitário Rubens Pereira Arruda Bruno, 19; Júlio Junqueira, 21, dono de um quiosque na praia da Barra e estudante de gastronomia; e Leonardo de Andrade, 19, técnico em informática; e o estudante de turismo Rodrigo Bassalo, 20, o último suspeito preso. Ele se apresentou na noite de segunda (25) no 16º DP (Barra da Tijuca), que investiga o caso. Os jovens, moradores de condomínios de classe alta, foram indiciados por tentativa de latrocínio.

O advogado de Andrade, Paulo Scheele, disse que seu cliente não participou do espancamento. A Folha não conseguiu ouvir pais e advogados dos demais.

Repercussão

A agressão cometida pelos jovens provocou revolta nos empregados domésticos no Estado, segundo a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Município do Rio de Janeiro, Carli Maria dos Santos.

"Foi uma barbárie. Mesmo que ela fosse profissional do sexo como os garotos alegaram, isso não seria a mínima justificativa para receber a agressão", afirmou Carli.

Nesta terça-feira o assunto será um dos temas da reunião do Conselho Estadual da Mulher do Rio. O sindicato irá sugerir uma manifestação em repúdio aos estudantes.

O presidente da Seccional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio, Wadih Damous, exigiu rigor nas investigações. Para ele, o caso deve ser tratado com a mesma indignação provocada na sociedade devido a morte do menino João Hélio.

 

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