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Cotidiano
26/06/2007 - 18h12

Aeronáutica usa equipamentos de guerra no controle aéreo, diz procurador

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LORENA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

A Aeronáutica usará equipamentos e estrutura de guerra para o monitoramento do espaço aéreo brasileiro. A informação é de procuradores do trabalho do Distrito Federal que visitaram nesta terça-feira no Cindacta-1 (Centro de Controle Aéreo de Brasília).

De acordo com os procuradores, os militares montaram tendas no lado externo do prédio do Cindacta-1 de onde alguns controladores da Defesa Aérea farão o monitoramento militar, vigiando, por exemplo, a entrada de aviões não autorizados nos céus do país. Eles usarão equipamentos de emergência, que são usados durante batalhas, no front.

Dentro do prédio, controladores também da Defesa Aérea foram desviados para controlar aviões comerciais. Eles serão responsáveis pelo chamado tubulão, corredores aéreos ligando as regiões Sudeste e Nordeste e operam em freqüências especiais, que começaram a funcionar hoje.

De acordo com o procurador Alessandro Santos, a Aeronáutica garantiu que todos os controladores deslocados para o controle civil foram treinados adequadamente, assim como controladores de outros Estados transferidos para Brasília. "Exigimos que eles passem por uma capacitação e a Aeronáutica garantiu que isso está sendo feito" disse o procurador.

A visita de hoje foi a terceira que os procuradores fizeram ao centro de Brasília. Pela primeira vez, porém, eles foram impedidos de entrar na sala de controle, acompanhando o trabalho por um vidro. "A Aeronáutica nos disse que o clima estava tenso por causa da última crise e, por isso, era melhor não entrarmos", afirmou.

Santos disse ainda que a Aeronáutica antecipou a troca de equipamentos no Cindacta-1 de Brasília para o segundo semestre. O procurador não soube dizer, porém, se os equipamentos são falhos, como alegam controladores de vôo. "Não temos condições técnicas de dizer se os equipamentos funcionam".

Relatório

Os procuradores entregaram ao comando do Cindacta-1 um relatório pedindo a contratação de 600 novos controladores. O relatório foi enviado à CPI do Apagão Aéreo em maio e será levado ao comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, e ao ministro da Defesa, Waldir Pires. A Aeronáutica informou aos procuradores que a contratação dos 600 controladores só poderia ser feita em dois anos.

Além da falta de controladores, os procuradores listaram entre as causas do caos aéreo o baixo salário da categoria (entre R$ 2.700 e R$ 3.400), o alto número de licenças médicas e os turnos alternados que obrigam os controladores a trabalharem em diferentes horários --de manhã, a tarde e a noite-- em uma mesma semana. O relatório é resultado de seis meses de investigações em 35 aeroportos.

Procurada, a Aeronáutica ainda não retornou as ligações.

 

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