Número de motociclistas mortos em São Paulo cresce 10% em 2006
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
Estudo divulgado nesta quarta-feira pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) aponta um aumento de 10% no número de motociclistas mortos no trânsito de São Paulo entre 2005 e 2006.
Foram 380 mortes de condutores de motocicletas em 2006 contra 345 em 2005. O número representa 25,6% do total de pessoas que morreram vítimas de acidentes no trânsito de São Paulo ano passado: 1.487. Os pedestres representam 49,4% do total (734).
Se for levado em consideração somente as pessoas que ocupavam veículos, 753, os motociclistas representam 50,46% do total. Em seguida estão ocupantes de carros, ônibus e caminhões (38,38%, ou 289 mortes), e ciclistas (84, ou 11,8% do total de condutores de veículos).
Em geral, segundo o estudo "Gestão de Risco de Mortes no Trânsito de São Paulo", o número de mortos no trânsito de São Paulo em 2006 é 1,2% inferior em relação a 2005, passando de 1.505 para 1.487.
A quantidade de motociclistas mortos foi a única variável que apresentou elevação. Todas as demais apresentaram queda. É o caso de mortes de motoristas de ônibus, caminhões e carros, que passou de 319 em 2005 para 289 em 2006, numa variação negativa de 9,4%.
O número de ciclistas que perderam suas vidas também caiu, passando de 93 em 2005 para 84 em 2006 (variação de 9,7%). Já o número de pedestres mortos no trânsito apresentou uma discreta redução. Foram 748 em 2005 contra 734 em 2006 (queda de 1,9%).
Ziguezague
O estudo utiliza como base informações dos laudos de necropsia do IML (Instituto Médico Legal) e o Infocrim (sistema de informações criminais da Secretaria de Segurança Pública do governo estadual).
Uma análise feita a partir de um estudo a respeito de 75 casos de motociclistas que morreram no próprio local onde sofreram o acidente --ou seja, nem chegaram a receber auxílio médico pois já estavam sem vida-- mostra que a principal causa é a queda seguida de atropelamento provocada pela circulação entre veículos, o famoso ziguezague (ou o popular "costura") no trânsito. Dos 75 casos de morte registrados, 52% tentavam atravessar entre os veículos, caíram e foram atropelados por carros, caminhões, ônibus ou até mesmo outras motos.
Outros 18% não respeitaram a sinalização e 10% rodavam acima do limite máximo de velocidade estabelecido para a via.
Uma das causas do crescimento de mortes entre motociclistas, segundo Roberto Salvador Scaringella, presidente da CET, é o aumento da frota. "A fatalidade [possibilidade de morte] de alguém que dirige uma moto é dez vezes maior do que alguém que dirige um carro", afirmou.
Ele disse que as duas faixas exclusivas de motos, os 3,5 km da avenida Sumaré, na zona oeste de São Paulo, e os cerca de 6,5 km do corredor Consolação/Rebouças/Eusébio Matoso, que vai do início da região central até a zona oeste, não registraram mortes de motociclistas ao longo do ano de 2006.
Segundo Scaringella, o ato de circular entre os veículos é difícil de ser evitado pois não existe amparo legal para coibi-lo. Ele lembrou que o esboço do Código Brasileiro de Trânsito estabelecia originalmente no artigo 56 a proibição de circulação entre as faixas, no entanto, foi retirado do texto aprovado e atualmente em vigor. "Foi feito para favorecer a ligeireza, o que aumentou o risco", avaliou.
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