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Cotidiano
27/06/2007 - 18h38

Policiais acessam áreas de tráfico "intocadas" no complexo do Alemão

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, defendeu a ocupação de morros como forma de combate à violência. Ele afirmou que a solução para o problema, no Rio, "é um remédio amargo", mas que é preciso "optar e seguir em frente". "É uma opção consciente e corajosa." Nesta quarta-feira, uma megaoperação deixou ao menos 18 mortos. O número pode aumentar, pois o balanço oficial ainda não foi divulgado.

"É uma situação difícil? É. É uma situação ruim? É. Se hoje, em uma operação contabilizamos 15 ou 20 mortes, tenho certeza que em uma ação que for tomada ano que vem ou em 2010, serão contabilizados 50, 60 ou 100 mortos", disse o secretário.

De acordo com Beltrame, o número de confrontos foi maior nesta quarta porque os policiais conseguiram chegar a três áreas "onde há muito tempo o Estado não entrava". Os locais são conhecidos como Areal, Chuveirinho e Matinha. "São lugares de difícil acesso e atuação. Mesmo com as perdas [dos traficantes], o poder bélico nessas áreas ainda é grande. Eles têm condições de se recuperar", afirmou o secretário.

No final da tarde, duas equipes policiais enfrentavam dificuldades para deixar as regiões. Não há dados precisos sobre o que foi encontrado, mas ao menos quatro fuzis, 40 kg de cocaína e 30 kg de maconha foram apreendidos.

A megaoperação desta quarta-feira foi organizada em dois meses, com reuniões diárias. Participam da megaoperação 1.200 policiais militares e civis do Estado e 150 integrantes da FNS (Força Nacional de Segurança). A justificativa para a operação foi o cumprimento de mandados de prisão na região, além da apreensão de drogas e armas.

Ocupação

O complexo do Alemão está ocupado pela polícia desde o dia 2 de maio. Na ocasião, a ação tinha como objetivo capturar os responsáveis pela morte dos soldados Marco Antônio Ribeiro Vieira e Marcos André Lopes da Silva, do 9º Batalhão (Rocha Miranda), assassinados com mais de 30 tiros no dia 1º de maio.

Desde o início dos trabalhos, os tiroteios são freqüentes. Desde maio já morreram 25 pessoas, sem contar com os números de hoje. A violência na região também deixou cerca de 5.000 crianças sem aulas.

Segurança no Pan

Para reforçar a segurança durante os Jogos Pan-Americanos, 2.000 homens da FNS (Força Nacional de Segurança) chegam ao Rio nos próximos dias.

O grupo irá se juntar aos outros cerca de 2.000 homens da tropa que estão no Estado. O Pan começa dia 13 de julho.

O número de homens da FNS no Rio deve chegar a 6.000, até o começo do Pan.

 

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