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Cotidiano
28/06/2007 - 11h04

Após megaoperação e mortes, situação é tranqüila no complexo do Alemão

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da Folha Online

Um dia após os confrontos causados pela megaoperação policial realizada no complexo do Alemão (zona norte do Rio), a situação nesta quinta-feira é tranqüila no conjunto de favelas, que permanece ocupado. No total, 19 pessoas morreram em meio à ação policial, que contou com 1.350 homens das polícias Civil e Militar e da FNS (Força Nacional de Segurança).

A megaoperação foi organizada em dois meses, com reuniões diárias. A justificativa para a operação foi o cumprimento de mandados de prisão na região do complexo do Alemão, além da apreensão de drogas e armas.

O complexo --região de 21 favelas com mais de 160 mil habitantes-- está ocupado pela polícia desde o dia 2 de maio. Na ocasião, a ação tinha como objetivo capturar os responsáveis pela morte dos soldados Marco Antônio Ribeiro Vieira e Marcos André Lopes da Silva, do 9º Batalhão (Rocha Miranda), assassinados com mais de 30 tiros no dia 1º de maio. Desde o início dos trabalhos, os tiroteios são freqüentes.

Ricardo Moraes/AP
Policiais mantêm ocupação no complexo do Alemão, na zona norte do Rio
Policiais mantêm ocupação no complexo do Alemão, na zona norte do Rio

Na quarta (27), o secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, defendeu a ocupação de morros como forma de combate à violência. Ele afirmou que a solução para o problema, no Rio, "é um remédio amargo", mas que é preciso "optar e seguir em frente".

Devido à operação, escolas suspenderam as aulas, e ônibus deixaram de circular na região. As forças de segurança do Rio não mobilizavam tamanho contingente desde a operação na busca dos assassinos do jornalista Tim Lopes, em 2002, quando cerca de 800 policiais entraram em várias favelas.

Mortes

O número de mortos na operação teve diferentes versões. No início da noite, Beltrame havia afirmado que havia entre 18 e 20 supostos traficantes mortos. Por volta das 20h, em nova entrevista, afirmou que houve duplicidade na contagem de corpos e que o número oficial era 13.

No fim da noite, porém, o dono de um lotação chegou à delegacia da Penha com seis corpos no veículo. Ele disse aos policiais que descia o complexo quando foi parado por um grupo que colocou os seis corpos em seu veículo. O motorista não soube dizer se o grupo que o parou era de traficantes ou de moradores.

Beltrame disse que as mortes ocorreram em confrontos da polícia em três localidades --Areal, Matinho e Chuveirinho--, todas apontadas como vias de abastecimento de armas e drogas. Para ele, o número de confrontos foi maior nesta quarta porque os policiais conseguiram chegar a três áreas "onde há muito tempo o Estado não entrava". Os locais são conhecidos como Areal, Chuveirinho e Matinha.

"São lugares de difícil acesso e atuação. Mesmo com as perdas, o poder bélico nessas áreas ainda é grande. Eles [traficantes] têm condições de se recuperar", afirmou o secretário.

Durante a operação, a polícia afirma ter apreendido cinco fuzis, 60 bananas de dinamite com detonadores, cinco pistolas, duas metralhadoras antiaéreas, cerca de 2.000 balas, 30 kg de cocaína, 115 kg de maconha, lança-perfume e uma balança de precisão. Quatro homens --entre eles um adolescente-- foram detidos.

*Segurança no Pan *

Para reforçar a segurança durante os Jogos Pan-Americanos, 2.000 homens da FNS (Força Nacional de Segurança) chegam ao Rio nos próximos dias.

O grupo irá se juntar aos outros cerca de 2.000 homens da tropa que estão no Estado. O Pan começa dia 13 de julho.

O número de homens da FNS no Rio deve chegar a 6.000, até o começo do Pan.

Com Folha de S.Paulo, no Rio

 

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