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Cotidiano
02/07/2007 - 18h25

Lula defende ação policial e diz que tráfico não pode ser enfrentado com rosas

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta segunda-feira a ação policial realizada no complexo do Alemão (zona norte do Rio) e disse que o governo deve enfrentar o crime organizado. Ele participou do lançamento do programa de urbanização e saneamento previsto pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para comunidades do Rio.

O presidente afirmou que não se pode enfrentar o tráfico de drogas com "pétalas de rosas". "Tem gente que acha que é possível agir contra a bandidagem com pétalas de rosa, jogando pó-de-arroz. Nós temos que enfrentá-los sabendo que muitas vezes eles estão mais armados que a polícia, com armas mais sofisticadas."

Lula afirmou que o crime deve ser enfrentado com investimentos em educação e lazer. O acordo assinado nesta segunda prevê R$ 3,2 bilhões para obras de saneamento e urbanização de favelas, como os complexos do Alemão e Manguinhos.

"Somente com essas obras, com investimento em educação, investimento em lazer, a gente vai poder vencer o crime organizado. Se não, ele vai nos derrotar", disse.

A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, afirmou que os recursos são direcionados para atender os moradores favelas e evitar que os criminosos assumam o papel do Estado.

"Eles [complexo do alemão, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, complexo de Manguinhos e Rocinha] vão ter o conjunto de obras necessárias e dimensionadas para atender aquela população. Há, sem sombra de dúvida, um resgate do papel do Estado. O Estado para estar presente para exigir estabilidade, respeito e segurança, e acabar com o crime organizado, que nada mais é do que uma tentativa de substituir o Estado por uma ordem privada criminosa. Portanto, investir no complexo do Alemão é sem dúvida tornar o Estado presente", disse.

Complexo do Alemão

O complexo --com 21 favelas e mais de 160 mil habitantes-- está ocupado pela polícia há dois meses. Desde o dia 2 de maio, confrontos são constantes no conjunto de favelas.

No último dia 27, uma megaoperação que envolveu 1.350 policiais deixou 19 pessoas mortas. Cruzamento de informações da Secretaria de Segurança e da Polícia Civil aponta, porém, que o número de mortos pode chegar a 22. Delas, três são adolescentes. Não há confirmação se todos tinham envolvimento com o tráfico de drogas.

No final da manhã desta segunda-feira, policiais e criminosos trocaram tiros no morro da Fé. Não há registro de vítimas.

 

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