Interrupção de operações em Cumbica atrasa vôos; passageiros protestam
da Folha Online
da Agência Folha
Os passageiros enfrentam nesta terça-feira mais um dia de atrasos e filas no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos, região metropolitana). Os problemas são atribuídos pela Infraero ao nevoeiro, que interrompeu as operações a partir das 22h22 de segunda-feira (2). As decolagens foram retomadas às 5h04, com auxílio de instrumentos, e os pousos, às 6h44.
A espera atinge vôos domésticos e internacionais. Até as 8h, os atrasos afetaram 72 vôos --37 chegadas e 35 partidas. Do total de pousos atrasados, 13 vôos foram desviados para outros aeroportos --sete para o Tom Jobim (Rio), três para Viracopos (Campinas - 95 km a noroeste de São Paulo) e três para Congonhas (zona sul de São Paulo).
Passageiros de um vôo da TAM que deveria ter decolado às 20h45 para Fortaleza (CE) protestaram. Cerca de 70 passageiros se recusaram a deixar a aeronave. Eles queriam a confirmação da nova data da viagem.
Por volta das 2h, os passageiros afirmavam que não tinham recebido o serviço de bordo ou mesmo água. Segundo a economista Ana Carla Fonseca, que viajava a trabalho, depois de uma hora de atraso e quando começava a manobrar a aeronave, o piloto avisou que precisava parar porque uma fechadura blindada deveria ser trocada. "Quinze minutos se passaram e o piloto avisou que não decolaria mais porque passava das 22h e o aeroporto estava fechado", afirmou Carla.
| Raimundo Pacco/Folha Imagem |
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| Vôo que seguia para Fortaleza atrasa, e passageiros se recusam a deixar avião, em SP |
O gerente de equipamentos, Rodrigo Viola Machado, que retornava para Fortaleza, disse que se recusa a deixar a aeronave porque a TAM oferece hotel apenas para os passageiros que estão em conexão, e paga táxi para quem vai retornar para casa.
Machado reclama ainda que a direção da TAM não se posiciona sobre qual seria a nova data de embarque e apenas pede para que os passageiros se dirijam a check-in ou liguem para o 0300 para remarcar o vôo. "Algumas pessoas que desceram da aeronave ligaram no meu celular alertando para não deixar o avião porque está uma confusão no check-in da companhia e não estão fazendo a remarcação", afirma Machado.
Os órgãos de defesa do consumidor orientam aos passageiros a buscar informações antes de sair de casa e, em caso de atrasos, procurar por seus direitos. Reclamações formais também podem ser feitas por escrito na companhia aérea ou nos postos da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) nos aeroportos.
Sul
As operações no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), também estão suspensas na manhã desta terça.
Pousos e decolagens estão suspensos desde as 7h55, também por causa da neblina, afirma a Infraero (estatal que administra os aeroportos). Ao menos nove pousos e seis decolagens sofreram atrasos.
Aeroportos
Apesar dos problemas em Cumbica e no Sul, as operações são consideradas normais no Rio. Até as 9h, a Infraero não havia divulgado o balanço total de atrasos no país.
Problemas
Desde a noite da última sexta-feira, os passageiros enfrentam nova seqüência de atrasos em aeroportos. Os problemas do fim de semana --o primeiro das férias de julho-- foram atribuídos pelo governo às condições meteorológicas.
Os problemas foram causados principalmente pelo fechamento de Congonhas (zona sul de São Paulo) devido a um forte nevoeiro, na noite de sexta (29); e pelo seqüenciamento de vôos instalado no aeroporto de Guarulhos (Grande SP) pelo Comando da Aeronáutica. Com a ordem, o espaçamento entre pousos e decolagens, que normalmente não passa de quatro, foi de até sete minutos.
Na manhã de segunda, até o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, enfrentou atraso para embarcar de Brasília para o Rio. "Evidentemente os passageiros não estavam satisfeitos com o atraso, nem eu", afirmou. Para Pereira, a crise aérea poderia ser resolvida com a implementação de um plano aeroviário --que incluiria mudanças na estrutura dos aeroportos e no tráfego aéreo.
Ao se referir sobre os problemas enfrentados no fim de semana pelos passageiros, Pereira afirmou que a malha aérea "foi para o espaço" devido a problemas meteorológicos, que causaram atrasos em um efeito cascata.
A Anac, em nota, afirmou que fiscaliza "rigorosamente e cotidianamente os eventos relacionados com a operação da aviação civil brasileira" e que "as concessionárias serão autuadas caso não estejam compatíveis".
Colaboraram MARTHA ALVES, da Agência Folha, e LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online
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