Publicidade

Cotidiano
03/07/2007 - 11h24

Atraso em Cumbica reflete para outros aeroportos; passageiros reclamam

Publicidade

da Folha Online

Os passageiros enfrentam nesta terça-feira mais um dia de atrasos e reclamações em aeroportos. Desta vez, os problemas foram atribuídos pela Infraero ao nevoeiro que interrompeu as operações de pouso e decolagem no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos, região metropolitana), o que causou reflexos em outros terminais.

Em Cumbica, a espera atinge vôos domésticos e internacionais. Das 22h de segunda (2) às 10h desta terça, 121 dos 205 vôos programados sofreram atrasos superiores a uma hora --62 pousos e 59 decolagens. O número de vôos cancelados não foi confirmado. Ao menos 13 vôos foram desviados para outros aeroportos.

Passageiros de um vôo da TAM que deveria ter decolado às 20h45 de segunda (2) para Fortaleza (CE) protestaram. Cerca de 70 pessoas se recusaram a deixar a aeronave, durante a madrugada. Eles queriam a confirmação da nova data da viagem.

Raimundo Pacco/Folha Imagem
Vôo que seguia para Fortaleza atrasa, e passageiros se recusam a deixar avião, em SP
Vôo que seguia para Fortaleza atrasa, e passageiros se recusam a deixar avião, em SP

Por volta das 2h, os passageiros afirmavam que não tinham recebido o serviço de bordo ou mesmo água. Segundo a economista Ana Carla Fonseca, que viajava a trabalho, depois de uma hora de atraso e quando começava a manobrar a aeronave, o piloto avisou que precisava parar porque uma fechadura blindada deveria ser trocada. "Quinze minutos se passaram e o piloto avisou que não decolaria mais porque passava das 22h e o aeroporto estava fechado", afirmou Carla.

O aeroporto suspendeu as operações por volta das 22h20. As decolagens foram retomadas às 5h04, com auxílio de instrumentos, e os pousos, às 6h44.

Na manhã desta terça, o saguão de Cumbica permanece lotado. Entre os passageiros prejudicados estava a professora Rosana Ferraz, 33. Ela saiu de Roma (Itália) com destino a São Paulo na noite de ontem, com uma conexão em Milão (Itália). Ao chegar em São Paulo, porém, o aeroporto estava fechado, e o avião foi desviado para o aeroporto Tom Jobim, no Rio. Uma hora depois, ela embarcou de volta para São Paulo. "O vôo Rio-São Paulo durou mais de duas horas, porque ficamos rodando sobre o aeroporto, esperando autorização para pousar", afirmou.

Quando conversou com a reportagem da Folha Online, ela enfrentava fila para fazer check-in e embarcar em um vôo da TAM com destino a Florianópolis (SC), de onde seguirá de carro até Criciúma (SC). Devido ao desvio para o Rio, a professora deveria ter perdido o vôo para Florianópolis, mas ele também atrasou. "Estou contando com mais quatro horas de espera."

Outros aeroportos

As operações no aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre (RS), também foram suspensas na manhã desta terça. Pousos e decolagens foram interrompidos às 7h55, também por causa da neblina, afirma a Infraero (estatal que administra os aeroportos).

As decolagens foram retomadas às 9h30, mas pousos permaneciam suspensos, por volta das 11h. No total, dez chegadas e sete partidas sofreram atrasos. Foram cancelados nove vôos --cinco pousos e quatro partidas.

Apesar dos problemas no aeroporto de Cumbica, a situação é tranqüila no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo). De acordo com a Infraero, apenas cinco dos 80 vôos programados sofreram atrasos. Outros sete foram cancelados.

Balanço da estatal mostra que, no Rio, seis dos 50 vôos programados para o Tom Jobim sofreram atrasos (12%) e sete foram cancelados, da 0h às 10h.

O número de atrasos é maior em aeroportos do Nordeste, de acordo com o levantamento. Em Recife, a espera atingiu 36,3% dos 22 vôos previstos para o horário.

Defesa do consumidor

A recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é para que os passageiros prejudicados cobrem seus direitos na Justiça. Para isso, devem guardar notas fiscais de lanches, táxis ou gastos com hospedagem.

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) criou uma campanha "Apagão aéreo: exija respeito e o fim da crise!". O instituto disponibiliza em seu site um modelo de ação que pode ser preenchido pelo próprio interessado, sem necessidade de auxílio de um advogado.

A Fundação Procon disponibiliza em seu site uma cartilha elaborada em dezembro de 2006 dando orientações ao consumidor. Com quatro páginas, é possível inclusive imprimi-la, dobrá-la e mantê-la na carteira.

Seqüência de problemas

O governo afirma que os novos atrasos são resultado das condições meteorológicas, ao contrário da última crise do setor aéreo, no final de junho, quando a Aeronáutica atribuiu os problemas aos controladores de tráfego aéreo, afastou profissionais do Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), com sede em Brasília, e anunciou medidas para controlar a situação.

A recente seqüência de atrasos começou na noite da última sexta-feira e atrapalharam as viagens no primeiro fim de semana das férias de julho. Os atrasos foram causados principalmente pelo fechamento de Congonhas (zona sul de São Paulo) devido a um forte nevoeiro, na noite de sexta (29); e pelo seqüenciamento de vôos instalado no aeroporto de Guarulhos (Grande SP) pelo Comando da Aeronáutica. Com a ordem, o espaçamento entre pousos e decolagens, que normalmente não passa de quatro, foi de até sete minutos.

Na manhã de segunda, até o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, enfrentou atraso para embarcar de Brasília para o Rio. "Evidentemente os passageiros não estavam satisfeitos com o atraso, nem eu", afirmou. Para Pereira, a crise aérea poderia ser resolvida com a implementação de um plano aeroviário --que incluiria mudanças na estrutura dos aeroportos e no tráfego aéreo.

Ao se referir sobre os problemas enfrentados no fim de semana pelos passageiros, Pereira afirmou que a malha aérea "foi para o espaço" devido a problemas meteorológicos, que causaram atrasos em um efeito cascata.

A Anac, em nota, afirmou que fiscaliza "rigorosamente e cotidianamente os eventos relacionados com a operação da aviação civil brasileira" e que "as concessionárias serão autuadas caso não estejam compatíveis".

Colaboraram GABRIELA MANZINI, da Folha Online, LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online, e MARTHA ALVES, da Agência Folha

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca