Abalado emocionalmente, menino arrastado por van passa por reconstituição
JOSÉ EDUARDO RONDON
da Agência Folha
Assustado, abalado emocionalmente e com vários ferimentos nas pernas e nas nádegas. Assim estava nesta quarta-feira o menino de cinco anos que foi arrastado por uma van escolar em São José do Rio Preto (440 km de SP). A Polícia Civil realizou hoje a reconstituição do acidente.
"Ele não está a criança que era. Está muito abatido, com tremores, assustado", disse o pai do menino, o pedreiro Pedro Pereira, 41.
Segundo Pereira, a família ainda não decidiu se irá processar o motorista da van, Sidney Barbosa. "A princípio, estamos preocupados com a saúde dele. Depois iremos estudar quais providências adotaremos", disse.
Segundo a Polícia Civil, o menino descia na terça-feira (3) da van que o levava da escola para casa, no bairro Jardim Nunes, quando teve parte da blusa enganchada no engate traseiro do veículo.
Sem perceber que a criança tinha ficado presa, Barbosa saiu com a van e o menino foi arrastado por cerca de 700 metros. O motorista só parou após ser alertado por moradores.
Ao ser atendido em um posto de saúde, de acordo com relato de familiares, o menino disse ter medo de que acontecesse com ele o mesmo que ocorreu com o garoto João Hélio, que morreu após ser arrastado por um carro durante um assalto no Rio, em fevereiro.
Reconstituição
Nesta quarta-feira a polícia realizou a reconstituição do episódio. De acordo com o delegado Valdir Carvalho da Silva, o motorista da van fez uma manobra que o impossibilitou de ver que a criança passava por trás do veículo. Peritos irão apontar se a manobra foi irregular ou não.
Para a advogada de Barbosa, Dalcisa Venturini, seu cliente realizou uma manobra regular e, em seu entendimento, a única explicação para o menino ter ficado enroscado no engate seria uma tentativa dele de se pendurar do lado de fora da van.

