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Cotidiano
18/07/2007 - 12h02

Investigação do acidente da TAM será nos moldes da do acidente da Gol

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CLARICE SPITZ
da Folha Online, no Rio

O especialista em segurança de vôo do Snea (Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias) Ronaldo Jenkis, que faz parte da comissão que vai apurar as causas do acidente da TAM que ocorreu na noite de terça -feira (17) em Congonhas (zona sul de São Paulo), disse que as investigações ocorrerão nos moldes do acidente do Boeing da Gol 1907.

Em setembro do ano passado, o Boeing da Gol chocou-se com um jato Legacy e caiu em uma região de mata fechada, em Mato Grosso. Os 154 ocupantes do avião morreram.

Os bombeiros resgataram hoje a caixa-preta do avião da TAM. Segundo Jenkis, as condições em que foram encontrados os gravadores de vôos são fundamentais para a investigação.

O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, afirmou que a caixa-preta do Airbus A-320 da TAM foi enviada para análise aos Estados Unidos. O avião transportava 186 pessoas. A caixa-preta será analisada pela NTSB (National Transportation Safety Board), a agência de segurança de vôo dos EUA. É o mesmo órgão que analisou a caixa-preta do Boeing da Gol, que caiu em setembro passado após se chocar com um jato Legacy, deixando 154 mortos.

A comissão que irá investigar o acidente com o avião da TAM deverá verificar se o Airbus A-320 realmente derrapou na pista principal do aeroporto de Congonhas, como se supõe, e por qual motivo --se por problemas na pista ou falha humana. "Nada está delineado, tem que ser investigado", afirmou Jenkis.

Analistas apontam que Congonhas opera há muito tempo acima de sua capacidade. O aeroporto mais movimentado da América Latina tem em média 600 vôos diários. "Não é prematuro discutir o saturamento do aeroporto. Aquilo é uma área familiar. As autoridades só tomam iniciativas depois que acontecem as coisas. Por mais que os interesses privados questionem, a autoridades têm que ter parecer técnico", afirma a secretária-geral do Sindicato dos Aeroviários, Selma Balbino.

Congonhas tem suas condições de segurança postas em xeque desde 2006, quando a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) determinou a suspensão de operações em dias de chuva forte, ou seja, quando houvesse 3 mm de água sobre o pavimento. Essa norma passou a ser aplicada com freqüência a partir de dezembro do ano passado.

A drenagem da pista se mostrava insuficiente para escoar a água da chuva, problema que só será solucionado com a conclusão da reforma, semanas atrás.

Com Folha de S.Paulo

 

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