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Cotidiano
19/07/2007 - 03h41

PF abre inquérito para investigar acidente com Airbus da TAM

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da Folha Online

A Polícia Federal instaurou na quarta-feira (18) um inquérito para apurar fatos relacionados com o acidente envolvendo o Airbus-A320 da TAM, ocorrido na última terça em Congonhas (zona sul de São Paulo). É o maior acidente da história da aviação brasileira.

A PF (Polícia Federal) afirma que o objetivo da investigação é definir, por meio de perícia, as condições de segurança da pista do terminal, além de identificar "eventual responsabilidade de agentes públicos, ou de particulares, sobre a possível liberação da pista em obras sem o cumprimento dos requisitos técnicos necessários".

As pistas do terminal passaram por reformas recentemente e foram liberadas sem o chamado "grooving" ----ranhuras feitas na superfície do pavimento que facilitam o escoamento de água em dias de chuva.

A abertura de inquérito foi determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que a PF investigue se houve irregularidades na entrega das obras.

Investigação

O acidente com o Airbus que fazia o vôo 3054 ocorreu durante pouso em Congonhas. Sem controle, o avião atravessou as pistas da avenida Washington Luís e atingiu o prédio da TAM Express --empresa de transporte de cargas.

No total, 186 pessoas estavam no avião --todas morreram. Uma funcionária da TAM Express chegou a ser resgatada com vida, mas morreu no hospital, e outros cinco funcionários estão desaparecidos. Além deles, o acidente deixou outras vítimas em solo --o número ainda é incerto.

Também nesta quarta, o brigadeiro Jorge Kersul Filho, comandante do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da Aeronáutica, afirmou que as investigações sobre o acidente devem durar no máximo dez meses.

Os profissionais do setor aeronáutico que irão apurar as causas do acidente deverão receber as transcrições da caixa-preta remetida à NTSB (National Transportation Safety Board), a agência de segurança de vôo dos Estados Unidos, na quarta-feira que vem (25).

Durante a entrevista, o superintendente de engenharia da Infraero (estatal que administra os aeroportos do país), Armando Schneider, assegurou repetidamente que a pista principal de Congonhas é "totalmente segura". Ele afirmou que, na última medição realizada, o coeficiente de atrito na pista principal estava, inclusive, "acima de padrões internacionais".

"Grooving"

Schneider rebateu as críticas de que a pista principal de Congonhas, recém-reformada, foi liberada para o tráfego prematuramente. Ele afirmou na entrevista que o chamado "grooving" só deve ser feito com o asfalto curado, o que demora de 30 a 40 dias, e que, se o processo fosse realizado agora, todo o trabalho de recuperação seria perdido.

"Nem todos os aeroportos do mundo têm esse sistema [o "grooving"]. Só alguns aeroportos têm particularidades e devem utilizar o "grooving", como é o caso de Santos Dumont [no Rio] também", afirmou.

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