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Cotidiano
19/07/2007 - 09h33

Risco de desabamento ameaça resgate; Fokker-100 arremete em Congonhas

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da Folha Online

Texto atualizado às 10h50

O risco de desabamento do galpão da TAM Express no qual o Airbus-A320 da TAM bateu na noite de terça-feira (17) é o maior desafio que o Corpo de Bombeiros enfrenta nesta quarta, na continuidade dos trabalhos de buscas pelos corpos das pessoas mortas no acidente que envolveu o vôo 3054 da TAM, em Congonhas (zona sul de São Paulo). Nesta manhã, um Fokker-100 da TAM arremeteu quando se preparava para pousar no terminal.

Segundo a Infraero (estatal que administra os aeroportos do país), o vôo 3400 decolou em Maringá (PR) com destino a Congonhas e precisou arremeter durante o procedimento de pouso porque estava alto demais. Depois da manobra, o avião deu a volta e pousou, em segurança, no mesmo terminal. O número de pessoas a bordo não foi confirmado.

O descompasso entre os números fornecidos pela Secretaria da Segurança Pública e os bombeiros que trabalham no local do acidente marca a manhã desta quinta. Enquanto a secretaria confirma a retirada de 180 corpos dos escombros, os bombeiros contabilizam apenas 177. Ao número devem ser somadas as mortes das quatro pessoas que foram socorridas com vida, mas não resistiram aos ferimentos.

No começo da manhã, o capitão Nilton Miranda, do Corpo de Bombeiros, disse estimar que 20 corpos permaneçam sob os escombros.

Dos corpos resgatados, 173 chegaram ao IML (Instituto Médico Legal). Somente 12 estão oficialmente identificados.

O total de mortes em decorrência do acidente pode chegar a 200, pois havia 186 pessoas a bordo do avião e, conforme anunciou o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), horas após a tragédia, ao menos 14 pessoas morreram em terra.

O acidente é o maior da história aeronáutica brasileira. O avião --que havia decolado de Porto Alegre-- pousava na pista principal do aeroporto de Congonhas quando perdeu o controle. Ele atravessou a avenida Washington Luís e atingiu o prédio da TAM Express. Houve explosão e um incêndio de grandes proporções. O acidente matou não apenas os passageiros do avião mas também funcionários da TAM Express --cinco estão desaparecidos-- e pessoas em solo.

IML

O coordenador da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, Celso Perioli, afirma que, agora, a equipe iniciará uma segunda fase no processo de identificação das vítimas --que foram carbonizadas. Nesta etapa, a identificação deverá ser feita a partir da análise de arcada dentária, implantes ou pinos nos corpos. O exame de DNA será o último recurso.

"A gente vai esgotar todas as etapas, deixando por último o exame de DNA naqueles cadáveres que evidentemente estão comprometidos pela carbonização", afirmou.

Segundo Perioli, não há prazo para a conclusão dos trabalhos.

Investigação

Imagens gravadas no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) e divulgadas nesta quarta mostram o momento do pouso do vôo 3054 da TAM. Os vídeos comparam pousos de outras aeronaves com o do Airbus A-320 acidentado. As imagens, divulgadas pela Infraero, mostram que o avião da TAM levou três segundos para fazer o trajeto na pista que, em condições normais, levariam 11 segundos. Clique aqui para assistir ao vídeo.

As causas do acidente ainda serão investigadas por uma comissão de profissionais do setor. A caixa-preta do avião será analisada na NTSB (National Transportation Safety Board), nos Estados Unidos. A investigação pode durar até dez meses.

A PF (Polícia Federal) instaurou um inquérito para apurar fatos relacionados com o acidente. O objetivo é definir, por meio de perícia, se há "responsabilidade de agentes públicos, ou de particulares, sobre a possível liberação da pista em obras sem o cumprimento dos requisitos técnicos necessários". As pistas do terminal passaram por reformas recentemente e foram liberadas sem o chamado "grooving" --ranhuras feitas na superfície do pavimento que facilitam o escoamento de água em dias de chuva.

Em entrevista concedida na noite desta quarta por técnicos do setor aéreo e aeroportuário, o superintendente da Infraero Armando Schneider descartou a possibilidade de ter havido aquaplanagem durante o pouso. Segundo ele, a pista estava "apenas molhada", ou seja, não havia formação de lâmina de água, devido à chuva.

O Ministério Público Federal quer que as operações do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) sejam interrompidas até que sejam confirmadas as condições de segurança do terminal.

A pista principal de Congonhas deve permanecer fechada até sexta-feira (20), quando poderá ser reaberta para operar com pista seca. Desde o acidente, pousos e decolagens são feitos pela pista auxiliar.

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