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Cotidiano
19/07/2007 - 17h06

Curiosos se aglomeram para ver e fotografar escombros do acidente em SP

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CAROLINA FARIAS
da Folha Online

O trabalho do Corpo de Bombeiros nos destroços do acidente com o vôo 3054 é acompanhado, desde a noite do desastre, na terça-feira (17), por uma multidão de curiosos. Nem o trânsito nem a fumaça ou o frio que chega à noite espantam aqueles que querem ver de perto o que resta do galpão da TAM Express, atingido pelo avião da própria empresa, que pode ter deixado 200 mortos.

A câmera fotográfica --muitas delas embutidas nos celulares-- é acessório nas mãos da maioria daqueles que se aglomeram no guard-rail do outro lado da avenida Washington Luís, endereço da tragédia. Na quarta-feira (18) à noite --o termômetro do aeroporto de Congonhas marcava 10ºC-- havia casais com seus filhos, algumas pessoas levaram os cães e grupos de amigos formavam rodas de bate-papo para tentar entender o que aconteceu ali.

"Fiquei com vontade de chegar lá perto [dos destroços]. Nunca vi uma coisa dessas, é a primeira vez. Sou acostumado a ir onde acontecem acidentes", disse o pintor Valter Bispo Ferreira, 27, que levou uma hora e meia para chegar ao local, de bicicleta, vindo de Campo Limpo Paulista (57 km ao norte de São Paulo). O rapaz, que nunca viajou de avião, fazia fotos do local para mostrar para a família. "Eles só vêem na TV né".

A justificativa do militar Willians dos Reis, 30, e da mulher Eladia dos Reis, 28, para saírem de casa, na zona leste da cidade, e ir até o local do acidente, é mostrar para a filha Érica, 7, a dimensão da destruição provocada pelo acidente. Além também de fazer fotos das imagens dos escombros.

"Viemos só para ver o acidente. É uma castátrofe muito triste. Queríamos mostrar para ela [filha] que tem realidade pode ser assim", afirmou Reis.

O lavador Denis Araújo,24, andou de ônibus por 40 minutos para chegar à Washington Luís. Queria ver os resquícios do incêndio. Ele não tinha idéia do número de mortos que o acidente pode ter deixado.

"Vim por curiosidade mesmo. Nunca imaginei ver uma coisa dessas. O frio não desanimou não", disse Dênis, de celular com câmera fotográfica nas mãos.

Já André Aparecido Costa Silva, 18, afirmou que foi até o local para conferir os estragos causados pela queda do avião, que ele afirma ter visto de dentro do ônibus em que estava, que seguia para o Terminal Bandeira (centro). Ele vende balas dentro dos coletivos.

"Ele [o avião] caiu de bico aí vimos o fogo. Foi um desespero. O ônibus estava lotado e todos os vidros quebraram. Machuquei minhas costas porque bati na catraca", disse o vendedor.

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