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Cotidiano
19/07/2007 - 20h07

IML identifica 25 vítimas de acidente da TAM; mortes podem chegar a 200

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da Folha Online

O IML (Instituto Médico Legal) informou no início da noite desta quinta-feira ter identificado 25 corpos de vítimas do vôo 3054 da TAM, acidentado na última terça (17), em Congonhas, na zona sul de São Paulo. No total, 188 mortes já foram confirmadas, e equipes de resgate ainda trabalham na localização dos corpos. O número de mortos no maior acidente da aviação brasileira pode chegar a 200.

As 25 vítimas foram identificadas a partir das impressões digitais, dados colhidos visualmente e por meio de questionários respondidos por parentes. Somente nesta quinta, foram 13 vítimas identificadas.

O Airbus-A320 da TAM havia decolado de Porto Alegre com 186 ocupantes. O acidente ocorreu durante o pouso no aeroporto de Congonhas, por volta das 18h50 de terça (17). Sem controle, a aeronave atravessou as pistas da movimentada avenida Washington Luís e atingiu o prédio da TAM Express --empresa de transporte de cargas. Houve explosão e incêndio. Na noite desta quinta, ainda há fumaça e focos de incêndio no local.

Além dos passageiros do avião, o acidente vitimou pessoas em solo, entre eles funcionários da TAM Express. Dois deles morreram --Michele Dias Miranda e José Antonio Rodrigues Santos Silva. Outros cinco funcionários e três prestadores de serviços permanecem desaparecidos. Feridos foram levados a hospitais da região --dez já tiveram alta e sete estão internados.

Apu Gomes/Folha Imagem
Bombeiros trabalham no local onde ocorreu o acidente com o Airbus-A320 da TAM
Bombeiros trabalham no local onde ocorreu o acidente com o Airbus-A320 da TAM

O risco de desabamento no prédio, a fumaça e focos de incêndio que ainda persistem atrapalham os trabalhos de busca. Durante a madrugada, foi retirado o combustível armazenado em tanques de um posto da Shell vizinho ao prédio da TAM Express e também atingido pelo acidente. O objetivo era reduzir riscos e usar maquinários pesados para remover os escombros e chegar até as vítimas.

Na tarde desta quinta, os bombeiros começaram a utilizar um equipamento especial para facilitar a entrada das equipes no local. Segundo o capitão Mauro Lopes, porta-voz da corporação, as lajes comprometidas serão cortadas para facilitar o acesso.

A localização e identificação dos corpos, que foram carbonizados, é lenta. De acordo com bombeiros que trabalham no resgate, muitos corpos foram mutilados ou estão inteiramente carbonizados. Com isso, as equipes não divulgam mais o número de corpos resgatados, e passaram a divulgar o número de sacolas com restos mortais enviadas ao IML --207 até a noite desta quinta.

Dois médicos legistas do IML participaram no final da tarde desta quinta de uma reunião com parte dos familiares e amigos delas. O perito criminal Hugo Frugoli, odonto-legista, afirmou que não há condições de fazer um reconhecimento direto dos corpos.

"Em razão da intensidade do impacto e do incêndio, não há possibilidade de a pessoa, olhando, reconhecer o parente", disse o também perito criminal Carlos Alberto Coelho.

A primeira tentativa do IML é identificar o corpo pelas digitais. Depois, é feito um estudo de cada uma das vítimas, com base em informações obtidas por meio de entrevistas com familiares e amigos delas. A terceira possibilidade é o reconhecimento pela arcada dentária e, por último, por exame de DNA.

Vítimas

As vítimas já identificadas pelo IML são: Alanis Ura Dona Andrade, Caio Augusto Bueno Dalprat, Claudemir Buzzanelli Arriero, Deolinda Magaly Victória da Fonseca, Fabio Martinho Novakoski Fernandes, Fernando Volpe Estato, Guilherme Duque de Moraes, Helen de Cássia Monteiro, Inês Maria Kleinowski, João Francisco Caltabiano, José Antônio Lima da Luz, José Luís Souto Pinto, Julio Cesar Redecker, Lina Barbosa Cassol, Márcio Rogério Andrade, Melissa Ura, Michele Dias Miranda, Mireile Franciane Bettiol, Osvaldo Luiz de Souza, Paulo Rogério Amoretty Souza, Peter Max Finzsch, Rafaella Bueno Dalprat, Rosangela Maria de Avila Severo, Rubem Withaeuper e Simone Lacerda Westrupp.

Investigação

As causas do acidente são investigadas. Imagens gravadas no aeroporto de Congonhas e divulgadas na quarta (18) mostram o momento do pouso do vôo 3054. Os vídeos comparam pousos de outras aeronaves com o do Airbus-A320 acidentado.

17.jul.07/Folha Imagem
Incêndio atinge prédio da TAM Express após acidente com Airbus da companhia aérea
Incêndio atinge prédio da TAM Express após acidente com Airbus da companhia aérea

As imagens, divulgadas pela Infraero, mostram que o avião da TAM levou três segundos para fazer o trajeto na pista que, em condições normais, levariam 11 segundos. Clique aqui para assistir ao vídeo.

Entre as possibilidades para o acidente estão o pouso em velocidade acima do normal, dificuldade em arremeter, pane na aeronave, falhas na pista do aeroporto.

A caixa-preta do avião será analisada na NTSB (National Transportation Safety Board), nos Estados Unidos. A expectativa da Aeronáutica é que a transcrição dos diálogos registrados pela caixa-preta do Airbus-A320 da TAM esteja concluída na próxima semana.

Intimação

A Justiça Federal informou hoje que vai intimar a Infraero (estatal que administra os aeroportos do país) e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) a se manifestarem sobre a ação civil pública proposta ontem pelo Ministério Público Federal que pede o fechamento total do aeroporto de Congonhas.

Na quarta-feira (18), a Infraero anunciou que a pista principal do aeroporto ficará fechada até sexta-feira (20). Após a data, a pista funcionará em dias sem chuva.

Segundo a Justiça Federal, uma carta precatória será enviada à Justiça Federal de Brasília (DF) --onde os representantes dos dois órgãos devem ser ouvidos.

O prazo para Infraero e Anac responderem à intimação é de 72 horas a partir do primeiro dia útil após o recebimento da intimação, o que pode ocorrer ainda nesta quinta.

Com LÍVIA MARRA, editora de Cotidiano da Folha Online, e CAROLINA FARIAS, da Folha Online

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