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Cotidiano
20/07/2007 - 12h24

Oposição pede demissão de assessor de Lula por gesto obsceno sobre TAM

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Parlamentares da oposição cobraram hoje do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a demissão do assessor especial da presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia. O líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio (SP), divulgou nota oficial para cobrar a saída do ministro.

"Não há outra coisa a fazer com o ministro. Os gestos obscenos foram a primeira manifestação pública do governo sobre a tragédia que não só enlutou as famílias dos mortos, mas todos os brasileiros", afirmou Pannunzio.

O deputado Vic Pires (DEM-PA), que integra a CPI do Apagão Aéreo, disse que Marco Aurélio fez um "deboche" com a nação brasileira ao comemorar o fato de o acidente com o Airbus-A320 da TAM ter sido provocado por problemas da aeronave.

"O mínimo que ele tem que fazer hoje é entregar o cargo. Ele é uma pessoa da cozinha do presidente Lula. Isso é uma vergonha nacional", disse Pires.

Para o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), o governo é responsável pelo acidente mesmo se ficar comprovado que houve falha mecânica na aeronave.

"Os riscos em Congonhas são enormes. O gesto, num momento desses, é tripudiar em cima das vítimas. O PSDB pede a demissão dele como ministro. Ainda é prematuro afirmar que a falha no reverso provocou o acidente", afirmou.

O relator da CPI do Apagão, deputado Marco Maia (PT-RS), também considerou inoportuno o gesto do assessor de Lula. Apesar de ser aliado do presidente, Maia disse que os ministros devem apresentar propostas concretas à nação neste momento --e não gestos obscenos.

"As atitudes tomadas e frases ditas deveriam ser evitadas para não ter esse tipo de situação que constrange a todos. Toda vez que uma autoridade tem uma atitude não adequada com o momento, deve pedir desculpas. É isso que ele deve fazer", afirmou.

Mais disse, no entanto, que não é prerrogativa do Congresso Nacional ou de partidos políticos pedirem a demissão de ministros. "Não cabe a parlamentares indicar quem o presidente Lula deve demitir ou contratar."

O presidente interino da CPI do Apagão, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o gesto de Garcia externou alegria em um momento que deveria ser de consternação.

"Independentemente da razão do acidente, todos estão tristes. Ele estava em um momento privado, não fez um gesto público. Nesse momento todos têm que estar imbuídos de um sentimento de consternação", afirmou.

Gesto

O vídeo com o assessor especial de Lula está no "You Tube". A reação ocorreu após ele assistir à reportagem do "Jornal Nacional", da Globo, sobre o defeito técnico no avião da TAM que caiu em São Paulo.

No momento em que a reportagem ia ao ar, às 20h17, Garcia fez por três vezes o gesto em que se bate a palma da mão estendida contra a outra mão, fechada.

Seu assessor, Bruno Gaspar, também fez outro gesto para comemorar o fato de o governo não, aparentemente, responsável pelo acidente.

Gaspar negou inicialmente que ambos tenham comemorado a notícia, que traz o foco da investigação sobre o acidente para a aeronave e a TAM --conseqüentemente tirando parte da pressão sobre o Planalto.

"A gente ficou espantado, como qualquer pessoa", disse. Confrontado com a informação de que há imagens mostrando a reação de ambos, o assessor de Marco Aurélio negou que tenha feito uma comemoração.

"Não aceito dizer que a gente comemorou. Foi um momento de extravasamento com a conclusão de que o acidente pode ter sido mais complexo do que em princípio chegaram a levantar. Foi uma reação de 'poxa, tá vendo?'... Porque houve precipitação. Alguns setores tentaram atingir o governo politicamente e nos culpar. Agora está visto que não é bem assim", disse à Folha.

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