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Cotidiano
20/07/2007 - 15h43

Líder do PT defende Garcia; oposição quer a demissão do assessor de Lula

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), defendeu hoje Marco Aurélio Garcia, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Garcia foi flagrado ontem fazendo um gesto obsceno, que dava a entender que comemorava a suspeita de o Airbus-A320 da TAM ter apresentado um defeito mecânico antes de ocorrer o acidente em Congonhas. As imagens já estão na internet, na internet, na página do site YouTube.

Segundo a petista, a demissão de Garcia seria "uma injustiça muito grande". No entanto, líderes do DEM e do PSDB defendem a imediata demissão de Garcia.

Segundo eles, o assessor especial da Presidência desrespeitou a população e as famílias das vítimas ao expressar sua opinião por meio de um gesto embaraçoso.

"Não acredito que o presidente Lula vá demitir o ministro Marco Aurélio Garcia. Ele é um assessor importante e que tem um papel relevante nas relações políticas internacionais do Brasil, principalmente com os países da América Latina", disse Ideli. 'Demitir o Marco Aurélio Garcia seria uma injustiça muito grande com ele", afirmou a petista.

A imagem divulgada pela televisão e reproduzida pelos jornais mostra o assessor do presidente fazendo um gesto obsceno --por três vezes ele bate a palma da mão estendida contra a outra mão, fechada. Ao lado de Garcia, estava um de seus principais auxiliares, Bruno Gaspar, que esticou os dois braços para a frente e depois trazendo os cotovelos em direção ao quadril.

Para a senadora, o gesto "espontâneo" de Garcia é natural, pois "qualquer um poderia ter" a mesma reação. "Foi uma absoluta violação da privacidade dele", afirmou a petista. "Eu consigo entender o que aconteceu porque sou muito passional", disse ela.

Pressão pela Demissão

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP), defendeu a demissão de Garcia. "Não há outra coisa a fazer com o ministro Marco Aurélio Garcia. Os gestos obscenos foram a primeira manifestação pública do governo do presidente Lula a respeito da tragédia que enlutou não só as famílias dos mortos, mas todos os brasileiros", disse ele.

Apesar da nota oficial, divulgada por Garcia, na qual pede desculpas, Pannunzio ressaltou que: "Não há desculpa que justifique a cena. Não há atitude que redima o desrespeito com uma nação inteira. Demissão imediata do ministro é o mínimo que o presidente Lula pode fazer para mostrar que ainda temos governo".

O relator da CPI do Apagão do Senado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), também condenou a permanência de Garcia, como assessor especial da Presidência. "O presidente precisa tomar uma medida disciplinar dura em relação ao assessor dele. Fica muito mal uma autoridade dessas agir desta maneira", disse ele.

 

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