Governo anuncia medidas para o setor aéreo e reduz tráfego em Congonhas
LORENNA RODRIGUES
ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
O Conac (Conselho de Aviação Civil) anunciou na tarde desta sexta-feira medidas para amenizar os efeitos da crise do setor aéreo. Entre as medidas, algumas têm o objetivo de reduzir a movimentação no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), onde, na última terça-feira, ocorreu o maior acidente aéreo da história do país.
Na reunião, iniciada por volta das 15h50, o conselho decidiu que, no prazo de 60 dias, Congonhas tenha apenas vôos diretos. Conexões e escalas serão realocados em outros aeroportos --não especificados.
O conselho também determinou que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) institua um plano permanente de contingência para aeronaves e tripulação de empresas aéreas. Em conjunto com o Comando da Aeronáutica, deverá apresentar em três meses estudos para a ampliação de todos os aeroportos de São Paulo e de localização para novos terminais.
A Infraero (estatal que administra os aeroportos) terá que recorrer à Justiça para liberar espaços dos aeroportos atualmente ocupados por empresas falidas, especialmente em Congonhas. O Conac determinou que a estatal redistribua os espaços físicos no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica (Guarulhos), para recepcionar maior número de passageiros.
Ainda de acordo com o Conac, caberá à Anac fiscalizar a TAM para assegurar que a empresa dará apoio às famílias das vítimas do acidente com o vôo 3054, ocorrido na última terça-feira (17) durante pouso em Congonhas. É o maior acidente da aviação brasileira.
Reunião
A reunião do Conac ocorre no Ministério da Defesa --pela manhã, reunião preliminar ocorreu no Planalto. Participam os ministros Waldir Pires (Defesa), Marta Suplicy (Turismo), Guido Mantega (Fazenda), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Dilma Rousseff (Casa Civil).
Também participam da reunião, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Ivan Ramalho; o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira; o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito; o presidente da Anac, Milton Zuanazzi; e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Machado.
O conselho poderá anunciar ainda nesta sexta outras medidas para o pacote de medidas para setor aéreo.
Acidente
O acidente com o Airbus-A320 da TAM que havia decolado de Porto Alegre ocorreu por volta das 18h50 da última terça, quando pousava no aeroporto de Congonhas com 187 passageiros. Sem controle, ele atravessou a pista de pouso, a avenida Washington Luís e bateu no prédio da TAM Express. O número de mortos pode chegar a 200.
Uma comissão de profissionais do setor aeronáutico irá investigar as circunstâncias do acidente. As duas caixas-pretas do avião serão analisadas na NTSB (National Transportation Safety Board), nos Estados Unidos. A expectativa da Aeronáutica é que a transcrição dos diálogos seja concluída na próxima semana.
Na quinta, a hipótese de que o acidente tenha sido causado por uma falha mecânica ganhou força com a revelação de que o Airbus tinha um defeito no reverso da turbina direita desde o último dia 13. A falha no reverso --mecanismo que ajuda o avião a frear-- foi detectada pelo sistema eletrônico de checagem da própria aeronave, que continuou voando nos dias seguintes, com o dispositivo direito desligado.
Em nota, a TAM informou que "o procedimento [desligamento do reversor] não configura qualquer obstáculo ao pouso da aeronave".
Com o reforço da hipótese de falha mecânica, conseqüentemente, fica em segundo plano a teoria de que o avião não desacelerou porque a pista principal de Congonhas foi liberada para uso, após uma reforma, sem o chamado 'grooving' (ranhuras que ajudam no escoamento da água). Chovia no momento do acidente.
Durante a exibição da reportagem da Globo que revelou a falha no reversor, Marco Aurélio Garcia, um dos principais assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi flagrado fazendo um gesto obsceno. Em entrevista, ele negou que tenha comemorado a novidade. O vídeo está no "You Tube".
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