Funcionário da TAM ligou para a mãe antes de prédio desabar
CARLA MONIQUE BIGATTO
do Agora
Às 18h45 de terça-feira, a dona-de-casa Zilda Lopes Catussatto estava em casa quando o telefone tocou. Ao atender, o desespero: "Mãe, estou morrendo asfixiado". A voz do outro lado da linha era a de seu filho, o representante comercial Alexandre Lopes Catussatto, 27 anos.
Funcionário da TAM Express, ele telefonou para casa logo após o acidente com o Airbus-A320. Alexandre relatou estar preso no prédio atingido pela aeronave. A ligação foi curta, mas provocou pânico na família, que a princípio pensou se tratar de trote.
O irmão do representante, Eduardo Catussatto, telefonou de volta para o celular de Alexandre. Ele chegou a atender mas, em meio a muito barulho, proferiu apenas palavras ininteligíveis, possivelmente já perdendo a consciência por conta da fumaça. Desde então, a família não tem informações do rapaz.
Alexandre é um dos oito funcionários da TAM desaparecidos desde o acidente. Logo após a queda do avião, sua família fez buscas em diversos hospitais, mas não o encontrou. Trabalhando na TAM há mais de cinco anos, ele passou por diversos cargos.
Muito sensibilizados, os parentes mais próximos de Alexandre enviaram à delegacia um cunhado dele, Ricardo Antunes Roque. Ele forneceu à polícia informações que podem ajudar no reconhecimento da vítima quando ela for encontrada.
Com esperanças de encontrar o rapaz com vida, Roque fez questão de registrar detalhes físicos de Alexandre (duas cicatrizes --uma na parte da frente da cabeça e uma no abdome, proveniente de cirurgia de remoção de apêndice), as roupas que ele usava (traje social), além da corrente de ouro que carregava sempre pendurada no pescoço.
Saiba mais sobre outras vítimas.
Desaparecidos
Dos outros funcionários desaparecidos, pelo menos quatro participavam de uma reunião, agendada após o expediente pelo gerente comercial Marcos Antônio Curti, 50 anos.
Ele trabalhava havia cinco anos na TAM e, segundo seu cronograma, se reuniria com funcionários no segundo andar do prédio, o mais atingido pelo acidente. Com ele estava sua secretária, Elaine Tavares da Silva, 33 anos. Seu último contato documentado é um e-mail enviado ao cunhado, mandando lembranças à irmã, que vive na Inglaterra.
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