Infraero recua e desiste de liberar pista principal de Congonhas nesta terça
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Infraero voltou atrás e desistiu de liberar amanhã a pista principal do aeroporto de Congonhas (SP), que está interditada desde o acidente com o Airbus-A320 da TAM, na terça-feira (17) da semana passada, o maior da história do país. O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse hoje que as fortes chuvas em São Paulo nesta segunda-feira atrasaram a conclusão dos trabalhos de perícia da PF na pista do acidente --o que impede a sua liberação amanhã.
"Eu havia falado que a pista estaria aberta a partir de amanhã, às 6 horas, mas não vai ser possível. Há buracos na pista que precisam ser reparados com cuidado. Não vai dar tempo. Com a chuva que está, não é possível fazer aquele trabalho [de restauração da pista] com segurança", disse o brigadeiro.
Pereira afirmou que a pista estará liberada para pousos e decolagens até o final desta semana, mas evitou estabelecer um novo prazo para a sua reabertura. Segundo o brigadeiro, pelo menos 14 buracos foram abertos na pista em conseqüência do acidente e precisam ser restaurados antes da sua liberação.
Congonhas
O brigadeiro confirmou a disposição do governo federal em repassar a outros aeroportos brasileiros parte das conexões e vôos que atualmente operam em Congonhas. Pereira disse que os aeroportos do Galeão (Rio de Janeiro), Confins (MG), Brasília, Guarulhos (Grande São Paulo) e Viracopos (SP) têm capacidade para absorver parte do fluxo de Congonhas.
A expectativa de Pereira é que, até o final deste ano, três milhões de passageiros de Congonhas sejam remanejados para outros aeroportos. No ano que vem, o brigadeiro disse acreditar que sete milhões de passageiros que passariam em Congonhas possam embarcar em outros aeroportos utilizados para reduzir o tráfego do centro da capital paulista.
Pereira descarta, no entanto, o fechamento completo de Congonhas --como sugerido pelo Ministério Público Federal. Mas disse ser favorável à redução de slots (pousos e decolagens) no terminal.
"Não precisa pegar tudo o que acontece com Congonhas e transferir para outro aeroporto. Isso pode ser distribuído em vários terminais. A idéia não é transferir o problema de um aeroporto para o outro", afirmou.
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