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Cotidiano
23/07/2007 - 18h34

Passageiros transformam saguão de Congonhas em escritório

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CLAYTON FREITAS
da Folha Online

Literalmente presos nos saguões de espera e embarque, os passageiros que tiveram os vôos cancelados no aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, transformam as cadeiras disponíveis nas áreas de descanso em escritórios improvisados.

Até a tarde desta segunda-feira, 60% dos vôos foram cancelados. Sem saber quando poderão remarcar suas passagens, eles sacam seus laptops, os colocam no colo e utilizam o tempo para adiantar trabalhos.

A consultora de empresas Hyvana Alves, 27, tinha um vôo marcado para às 8h22 desta segunda-feira pela TAM rumo à Florianópolis (SC).

A saída foi remarcada para as 16h40, e, por volta das 15h30, ela foi informada do cancelamento. Ela tem (teria) uma reunião na terça-feira pela manhã com um "cliente importante".

Sem saber quando poderá remarcar o vôo, sentou, abriu seu laptop, ligou para o cliente e pediu o agendamento de uma nova data. Enquanto não obtinha a resposta, decidiu acertar os detalhes finais da sugestão que deverá apresentar. "É uma falta de respeito muito grande você ser retirado da sala de embarque e sair sem qualquer informação", disse.

Francisco José, 41, professor universitário em Feira de Santana (BA), não encontrou lugar para sentar. Achou um canto no saguão e sentou no chão. Abriu seu computador portátil e olhava desolado a apresentação, em slides, de um trabalho que lhe consumiu seis meses de pesquisa em campo.

Os slides deveriam integrar uma apresentação acadêmica prevista para hoje à noite durante a 7ª Reunião de Antropologia do Mercosul, que acontece a partir de hoje na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

O professor saiu de Salvador em um vôo da TAM às 7h45 de hoje e deveria pousar em Congonhas. Devido ao mau tempo, foi transferido para Guarulhos, como não havia possibilidade de pousar, foi despachado para Campinas. De lá, veio de ônibus para Congonhas, onde permanecia até as 15h30 desta terça-feira.

"O presidente Lula declarou que queria dia e mês para a crise acabar. Só esqueceu de falar em qual ano", ironizou.

 

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