Crise em Congonhas aumenta procura por ônibus em até 33%
RENATO SANTIAGO
da Folha Online
As filas, os atrasos, a insegurança e a indefinição no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, têm efeitos até no terminal rodoviário Tietê. As empresas de transporte rodoviário registram aumento de até 33% na venda de passagens de ônibus, principalmente entre São Paulo e Rio de Janeiro, e de quase 15% entre São Paulo e Curitiba (PR).
O aumento nas vendas ocorre desde o início da crise aérea, mas o acidente com o Airbus-A320 da TAM levou ainda mais gente para os ônibus. O acidente causou o fechamento da pista principal do aeroporto --que até hoje não reabriu-- e os conseqüentes atrasos na maioria dos aeroportos do país.
Daniel de Oliveira, gerente setorial da viação 1001 em São Paulo, diz que o aumento da procura por passagens entre São Paulo e Rio aumentou 33,28% entre a sexta-feira (13) e a sexta-feira (20). O acidente com o vôo da TAM ocorreu na terça (17). "Por causa da insegurança e da indefinição em Congonhas, muita gente tem optado pelo transporte rodoviário", avalia Oliveira.
Em todo mês de julho, o crescimento na venda de passagens foi de 35,11% em relação a julho do ano passado, mas, nesse caso, outros fatores também contribuem. "As férias escolares e o Pan-Americano também fazem o público aumentar", completa.
A viação Itapemirim registrou também aumento nas vendas de passagens, mas não apenas para o Rio. Segundo Ronaldo Fassarella, superintendente da empresa, as vendas para Curitiba aumentaram pouco menos de 15%. Para o Rio, a procura cresceu 10%. "Esses percentuais não devem continuar tão altos, mas certamente essa crise aérea deve fortalecer o transporte rodoviário", diz Fassarella.
"Mais confortável"
Nesta segunda-feira, passageiros que tentavam embarcar em Congonhas desistiram de esperar e resolveram pegar ônibus. O engenheiro Daniel Rezende, 25, do Rio, a decoradora Nadja de Almeida, 44, do Rio Grande do Sul, e a gerente de vendas Carolina Pires, 25, do Paraná, deveriam ter embarcado às 9h30 de hoje num vôo da TAM para Curitiba, que foi cancelado.
Os passageiros, que não se conheciam, resolveram pegar o mesmo táxi até a estação Jabaquara do metrô (zona sul), e de lá seguir para o terminal do Tietê. Eles programaram sair às 23h de ontem de São Paulo e chegar a Curitiba às 6h desta terça.
Outro grupo, formado por três engenheiros da Petrobras --Fábio Aguiar, 34, Eduardo Montanaro, 25, e Fernando Prado, 26,-- também optou por viajar de ônibus. Eles vieram a São Paulo a trabalho e têm de viajar a Macaé, no Rio. "Ao menos de ônibus leito a gente vai em uma poltrona bem mais confortável, mais espaçosa", disse Prado.
A Socicam --concessionária que administra o terminal Tietê-- confirma o aumento de movimento na rodoviária (de 850 mil no ano passado para 1,02 milhão neste ano), mas é mais cautelosa na avaliação dos motivos. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Socicam disse não poder determinar porque os passageiros circulam no terminal.
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Com CLAYTON FREITAS, da Folha Online
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