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Cotidiano
21/06/2001 - 03h52

Para acusação, ação da tropa da PM no Carandiru foi imprópria

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da Folha de S.Paulo

A Polícia Militar invadiu a Casa de Detenção, no Carandiru, com tropa e equipamentos impróprios para a ação, o que levou ao massacre dos 111 presos. É o que o dizem os promotores do caso, Norberto Joia e Felipe Locke Cavalcanti.

No dia, segundo a Promotoria, o coronel Ubiratan Guimarães tinha cerca de 300 homens no local, subdivididos em ao menos cinco frações: os do Gate, os do COE, os da Rota e os do 2º e 3º Batalhões de Choque -os dois últimos mais apropriados à invasão, por serem treinados a controlar tumultos com escudos e cassetetes.

"Em vez de seguir os planos da própria PM, ele deixou a parte da tropa mais preparada na retaguarda e colocou a Rota na frente, que não tem estrutura e equipamento suficiente para esse tipo de operação", afirmou Cavalcanti.

Os promotores também acharam errado o fato de terem entrado "muitos" policiais armados com metralhadores e fuzis. O Ministério Público estima que um terço dos PMs que entraram no pavilhão estava com armas.

Por causa das escolhas que fez antes da ação, a Promotoria denunciou o coronel por 111 homicídios dolosos -intencionais, como define a legislação penal.

Mapeamento da perícia indica que 78 dos 111 presos mortos foram assassinados no 3º pavimento do segundo andar do pavilhão 9, invadido predominantemente pela Rota. "O térreo já tinha sido dominado e não havia mais reféns nos andares de cima. Ninguém sabe o motivo que levou os policias a prosseguirem a ocupação", disse Joia. Laudo da perícia indica que boa parte dos tiros saíram de fora para dentro das celas.

Ontem, os promotores de acusação distribuíram pastas aos jurados, contendo partes dos documentos e trechos de livros que começarão a ser lidos hoje.
(AS)

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