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Cotidiano
26/07/2007 - 13h38

Para brigadeiro, "é previsto ter falhas nas aeronaves de tempos em tempos"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), brigadeiro Jorge Kersul Filho, disse nesta quinta-feira à CPI do Apagão Aéreo na Câmara que novos acidentes aeronáuticos podem ocorrer no país, uma vez que "é previsto ter falhas" nas aeronaves "de tempos em tempos".

Segundo Kersul, nenhum meio de transporte é 100% infalível. "Vai haver um novo acidente, não tem como fugir dessas estatísticas. A máquina é construída prevendo falhas. Quando optamos por um meio de transporte, assumimos riscos", afirmou.

O brigadeiro disse que os prestadores de serviço --nesse caso as companhias aéreas-- devem trabalhar para minimizar os riscos de acidentes. Apesar das estatísticas, ele disse considerar o transporte aéreo "muito seguro" no Brasil.

Kersul disse ainda que falhas no reverso do Airbus-A320 da TAM podem ter contribuído para o acidente com a aeronave no aeroporto de Congonhas (SP). Ele afirmou que o reverso pode ser um dos fatores que levaram o piloto a perder o controle da aeronave --mas ressaltou que o Airbus deveria ser capaz de pousar mesmo com problemas no equipamento.

"Estatisticamente, o fator material tem pouca influência no acidente. Tem que ver como isso se somou ao piloto. Na maioria dos acidentes, o fator operacional, humano, é o que mais aparece. Por mais que a gente desenvolva bons equipamentos, a limitação vai ser sempre o ser humano. Mas o reverso pode ter influenciado, sim", afirmou.

Kersul disse à CPI que, no dia 28 de dezembro do ano passado, autoridades do setor aéreo e representantes das empresas se reuniram para discutir os problemas do aeroporto de Congonhas. Na ocasião, todos teriam chegado à conclusão de que novos acidentes ocorreriam na pista principal do aeroporto caso não fossem realizadas mudanças no local.

Após a reunião, houve a determinação para a reforma da pista --que foi entregue 20 dias antes do acidente com o Airbus. O brigadeiro disse que ficou "frustrado" com o acidente, uma vez que "todas as providências haviam sido tomadas" para recuperar a capacidade de pouso em Congonhas.

Kersul disse que, desde então, houve o controle do volume de água na pista de Congonhas para evitar novos acidentes. "O critério era formação de lâmina superior a três milímetros. Se isso ocorresse, as atividades da pista eram interrompidas. A Infraero até aspirava parte da água para acelerar a liberação da pista. Tomamos providências que poderiam diminuir o risco de acidentes e fomos felizes", afirmou.

O brigadeiro reiterou que, no dia do acidente, o nível máximo de chuva não prejudicou o pouso da aeronave. "Do levantamento que temos, inclusive do testemunho de pessoas, era uma garoa. Não podia nem ser chamado de chuva. Temos registros da torre que, no momento do acidente, era chuva leve, definida como pingos espalhados."

 

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