Pista principal de Congonhas reabre pela segunda vez
da Folha Online
Um problema burocrático fechou a pista principal do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, poucos minutos após sua reabertura, na tarde desta sexta-feira. De acordo com a Infraero, a pista foi liberada para o tráfego às 12h20. Três minutos depois ocorreu o primeiro pouso, e a pista fechou.
Depois disso, a Infraero informa apenas que a situação foi regularizada às 14h30 e que a pista retomou as operações às 14h43. Dois minutos depois ocorreu o segundo pouso.
Os motivos que levaram ao fechamento da pista não são informados nem pela Infraero nem pela Anac nem pela Aeronáutica.
Um funcionário da torre de controle do aeroporto, porém, informou à Folha Online que a pista foi fechada devido à falta de Notam --sigla para Notice to Airmen que, em português, significa algo como aviso aos navegantes.
O Notam, de acordo com informações publicadas no site da Aeronáutica em 2006, é um "comunicado operacional" direcionado "aos aeronavegantes" que alerta sobre eventuais interferências provocadas "nas comunicações ou na navegação aérea das aeronaves" por "serviços de manutenção periódica preventiva", por exemplo. Os pilotos são avisados sobre Notams no momento em que o plano de vôo é elaborado.
Por telefone, a reportagem entrou em contato repetidas vezes com a assessoria de imprensa da Aeronáutica, mas foi orientada a cobrar a Infraero.
Pousos
O primeiro avião a pousar na pista principal de Congonhas após o acidente com o vôo 3054, às 12h23, foi um Airbus da TAM que chegou a São Paulo depois de decolar em Porto Alegre (RS) e fazer uma escala em Florianópolis (SC).
O segundo pouso, após a reabertura definitiva da pista, ocorreu às 14h52. Era um avião também da TAM saído de Navegantes (SC).
Crise
O aeroporto de Congonhas vive uma grave crise há dez dias, quando ocorreu o acidente com o vôo 3054 da TAM. O avião da TAM passou direto pela então recém-reaberta pista principal do terminal e, sem controle, atravessou a avenida Washington Luís e bateu contra um galpão da TAM Express. Com o choque, a aeronave explodiu. Cerca de 200 pessoas morreram.
Quando o acidente ocorreu, fazia cerca de 20 dias que a pista principal havia sido reaberta após uma reforma geral. O modo como o avião não conseguiu frear levantou suspeitas de que a falta de "grooving" na pista principal tenha contribuído para o acidente. O "grooving" é um sistema de ranhuras que auxilia no escoamento de água do pavimento. Os motivos do acidente ainda são investigados.
Diante das suspeitas, a pista principal foi fechada para ser submetida a exames periciais da Polícia Federal. Para realizar os exames, os peritos esburacaram o pavimento. O conserto levou dez dias. Neste período, o aeroporto operou com a pista auxiliar que tem "grooving", mas é mais curta --o que dificultaria manobras em uma eventual situação de urgência.
Leia mais
- Novo ministro da Defesa evita imprensa em visita a Congonhas
- Caixas-pretas do vôo 3054 voltam para o Brasil
- Viracopos passará por reforma, diz Infraero
- Em SP, novo ministro da Defesa visita pista de Congonhas e IML
- Bombeiros encerram buscas em escombros de acidente com vôo 3054
Especial


