Falhas de equipamento e humana podem ter provocado acidente com Airbus
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
De posse dos dados das caixas-pretas do avião que bateu e explodiu no dia 17, em São Paulo, matando cerca de 200 pessoas, a FAB suspeita que o pior acidente aéreo da história do país tenha sido provocado por vários fatores: a falha no manete do Airbus-A320 da TAM, um erro cometido por quem pilotava o avião e problemas relacionados à pista estão sob análise.
O brigadeiro Jorge Kersul Filho, chefe do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) já tem em mãos os dados e deve iniciar uma investigação detalhada com base nestas informações a partir de segunda-feira.
O manete é um dispositivo que acelera as turbinas do avião.
"Uma das hipóteses prováveis é a posição do manete, mas precisamos ter certeza", sem precisar a que posição se refere. "Por exemplo, os dados podem mostrar que o manete estava em outra posição. Quem garante que não foi uma falha de um equipamento que deu este sinal incorreto?", disse Kersul ontem durante entrevista coletiva em Brasília.
O brigadeiro também não descarta falha humana ou de outros equipamentos do avião, e disse que a Aeronáutica trabalha com outras hipóteses que podem ter colaborado com o acidente: falhas no sistema de frenagem e problemas ocorridos com a tripulação do Airbus estão na lista.
A revista "Veja" deste domingo afirma que o acidente com o Airbus começou com um erro do comandante do vôo 3054, Kleyber Lima. De acordo com a reportagem, as duas alavancas que regulam o funcionamento das turbinas --os manetes-- estavam fora de posição quando o avião tocou a pista principal de Congonhas.
"Há vários fatores que podem ter contribuído: a pista de pouso, a manutenção da aeronave, as condições de trabalho da tripulação, o preparo da tripulação --fisiológica e psicológica--, a meteorologia, controle de trafego aéreo na hora do acidente. Os dados contidos nas caixas esclarecerão como foi a atuação da aeronave nos últimos minutos do vôo", afirmou Jorge Kersul.
Após pousar em velocidade correta em Congonhas (cerca de 222 km/h), o avião da TAM não desacelerou como deveria, atravessou a pista do aeroporto, sobrevoou a avenida Washington Luís a pouquíssimos metros (chegando a tocar em carros) e se chocou a 175 km/h contra o prédio da TAM Express.
Airbus
A Airbus enviou na terça-feira (24) para todas as empresas que operam seus aviões um comunicado de segurança baseado na análise preliminar da gravação de dados da caixa-preta do vôo 3054 em que pede a pilotos o "estrito cumprimento" de dois procedimentos de pouso para prevenir outros acidentes.
A empresa européia, contudo, não quis confirmar se isso é uma interpretação de que houve falha do piloto no acidente. Ela ressalta dois procedimentos de aterrissagem envolvendo os controles de potência das turbinas, mas não diz se um deles foi violado em Congonhas.
O comunicado chama AIT (Accident Information Telex), e é o primeiro documento oficial a partir da caixa-preta, cujos dados foram analisados nos EUA.
Com Leila Suwwan, da Folha de S.Paulo, em Brasília
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