Após corte de vôos em Congonhas, cidades disputam novo aeroporto paulista
DIEGO ZANCHETTA
do Agora
De olho em verbas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) já carimbadas para a construção de novos aeroportos no Estado, cinco municípios paulistas entraram oficialmente na disputa pelos seis milhões de passageiros que deixarão de usar Congonhas nos próximos 12 meses.
A menos de cem quilômetros da capital e recortadas pelas principais rodovias do Estado, Campinas, Araçariguama, Jundiaí, Guarulhos e Mauá são avaliadas pela Infraero como opções para absorver a demanda de vôos transferidos do aeroporto mais movimentado do país --o corte foi de 38% após o acidente com o Airbus da TAM.
As prefeituras prometem de tudo na tentativa de atrair um novo aeroporto ou obras de ampliação em estruturas já existentes, nos casos de Guarulhos, Jundiaí e Campinas.
De incentivos fiscais a desapropriações de terrenos cujos donos nem foram consultados, os prefeitos tentam atrair impostos que podem mudar o perfil da economia de toda uma região. Na opinião de especialistas, a empolgação dos prefeitos tem embasamento econômico. Além do R$ 1 bilhão do PAC destinado a construção dos aeroportos --verba que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu "pressa" na aplicação--, a projeção de arrecadação somente em ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), em um aeroporto com a circulação de 1 milhão de pessoas por ano, é de R$ 30 milhões.
Segurança
No momento, porém, terá vantagem na disputa quem oferecer melhores condições de segurança, segundo especialistas. "É preciso evitar o erro histórico, como ocorreu em Guarulhos, onde o aeroporto foi construído em área de neblina", considera o presidente da Federação Nacional de Trabalhadores do Setor Aéreo, Uébio da Silva, ao comentar a possibilidade de Mauá (ABC), que tem o mesmo problema, receber um novo aeroporto --a prefeitura da cidade apresentou terreno de 1,9 milhão de m² para tentar viabilizar a proposta.
Anderson Ribeiro Correia, professor do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e presidente da SBTA (Sociedade Brasileira de Pesquisa em Transporte Aéreo), também considera fundamental avaliar todos os aspectos como tamanho de pista e condições climáticas. O especialista é defensor da ampliação de Cumbica. "Para viabilizar Viracopos, por exemplo, seria necessária uma linha férrea até São Paulo", avalia o professor.
Viracopos tem circulação anual de 800 mil passageiros e capacidade para receber outros 1,2 milhão. A transferência de parte de vôos fretados para Campinas, contudo, demanda obras de ampliação e infra-estrutura em Viracopos, onde faltam profissionais para atender o público, esteiras e escadas rolante. De janeiro até a última quarta-feira, 468 vôos foram transferidos para Campinas, ante 63 no mesmo período do ano passado --acréscimo de 643%.
O professor do departamento de Engenharia Aeronáutica da USP, James Waterhouse, defende a ampliação do terminal campineiro. "O aeroporto tem uma pista longa e não há problemas climáticos. Há até capacidade ociosa para absorver novos vôos."
O governador José Serra, porém, já sinalizou na semana passada que a prioridade com as verbas do PAC será a construção da terceira pista em Cumbica --o que vai exigir a desapropriação no entorno de cerca de 15 mil famílias.
Já para a aviação comercial de jatos particulares, a principal alternativa da Infraero é o aeroporto de Jundiaí (60 km de SP). O local recebe obras de ampliação há dois anos. O problema é que ele fica em área de proteção ambiental e próximo de um pólo de indústrias químicas.
Araçariguama (50 km de SP) e Guarujá e Praia Grande, na Baixada Santista, completam as prefeituras que enviaram projetos de obras aeroportuárias à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).
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