Publicidade

Cotidiano
31/07/2007 - 12h55

Pista de Congonhas foi liberada sem homologação após reforma

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A Infraero liberou a pista principal do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no final de junho, antes do acidente com o Airbus-A320 da TAM, sem a homologação oficial de entidades do setor aéreo. O superintendente de empreendimentos de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, disse hoje à CPI do Apagão Aéreo da Câmara que não expediu nenhum documento formal sobre a liberação da pista por não considerar essa prática necessária.

"Eu desconheço qualquer necessidade formal ou documentação que determine que a pista seja verificada", afirmou. O superintendente afirmou, no entanto, que o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) acompanhou toda a execução das obras --mas não tinha autonomia para a sua liberação.

Schneider disse que, antes da liberação no dia 28 de junho, percorreu a pista junto com técnicos da Infraero e da Anac [Agência Nacional de Aviação Civil], quando constataram que a pista tinha condições de ser liberada. "Concluímos que a pista estava em excelentes condições, melhor até que a outra [auxiliar]", afirmou.

Em depoimento à CPI na semana passada, o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, atribuiu à Infraero a responsabilidade pela liberação da pista. Ao contrário de Schneider, Zuanazzi disse que a Anac não teve participação na decisão de liberá-la.

O relator da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), considerou estranho o fato da pista ter sido liberada sem uma homologação oficial. "Todas as informações que temos sobre a aviação civil ou militar no país e no mundo precisam ser certificadas. Nós estranhamos o fato de que não foi produzido nenhum documento", disse o deputado.

Pista

A pista principal de Congonhas, onde ocorreu o acidente com Airbus-A320 da TAM no dia 17 de julho, foi liberada para pousos e decolagens de aeronaves 20 dias antes da tragédia. A Infraero executou uma série de obras na pista por 45 dias para sua recuperação geométrica, com correção das declividades encontradas no local.

Depois do acidente, a pista voltou a ser interditada para a realização de perícia no local. Após a Infraero constatar que não havia riscos para o pouso de aeronaves no terminal, a pista voltou a ser liberada na última sexta-feira.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca