Infraero promete enviar a Jobim soluções para pista principal de Guarulhos
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, prometeu encaminhar até amanhã ao ministro Nelson Jobim (Defesa) soluções para os problemas detectados na pista principal do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo). Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo nesta terça-feira, o brigadeiro disse que Jobim estabeleceu prazo até amanhã, às 17h, para que a Infraero envie as sugestões ao governo.
O brigadeiro admitiu, no depoimento, que a pista possui problemas provocados pelo seu tempo de uso --de quase 20 anos.
"Essa pista apresenta problemas de velhice naturais. A nossa idéia é fazer as obras de reparação o mais rápido possível. Mas estamos descompactando o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, logo uma pista única em Guarulhos vai comprometer essa mudança", afirmou.
Segundo técnicos da Infraero, a pista de Guarulhos possui problemas em sua camada asfáltica que provocam trepidação nos momentos do pouso das aeronaves.
Jobim também cobrou alternativas para acelerar a instalação do grooving (ranhuras que auxiliam no escoamento de água) na pista principal de Congonhas e medidas de ampliação da capacidade de funcionamento do aeroporto de Viracopos, em Campinas (95 km de SP). Pereira se comprometeu a encaminhar todas as alternativas até amanhã, dentro do prazo estipulado pelo ministro.
Segundo o brigadeiro, as obras na pista de Guarulhos estavam previstas para o mês de julho deste ano. Com o acidente com Airbus-A320 da TAM e a decisão do governo de reduzir o tráfego aéreo em Congonhas, as obras acabaram adiadas.
O brigadeiro disse que o governo estuda autorizar em curto prazo as obras em Guarulhos --que segundo ele serão realizadas à noite, com a interdição de parte da pista principal. "É normal se fazer reparos em pista como se faz em estradas: interdita-se um pedaço, faz-se um desvio. Podemos fazer o trabalho de madrugada", afirmou.
Pista
No depoimento à CPI, o brigadeiro disse não acreditar que o tamanho da pista principal do aeroporto de Congonhas tenha contribuído para o acidente com o Airbus-A320 da TAM. Segundo Pereira, por mais que a pista principal tivesse cinco quilômetros de extensão, dificilmente o piloto teria conseguido controlar a aeronave.
"Se houve contribuição da pista, não foi por ela ser pequena. Se houvesse mais 500 metros de pista, o avião atravessaria esses 500 metros. Na velocidade que ele estava, não daria para parar. Cinco quilômetros de pista não ia resolver", afirmou.
A pista principal de Congonhas, com 1.940 metros de extensão, foi liberada para pousos e decolagens de aeronaves 20 dias antes do acidente com o Airbus da TAM. A pista passou por obras que duraram 45 dias antes da tragédia que resultou na morte de 200 pessoas.
Pereira disse que a liberação da pista não teve homologação formal de autoridades do setor aéreo porque essa não era uma prática da Infraero. O brigadeiro afirmou que, daqui para frente, vai defender a homologação das pistas por uma série de órgãos do setor para evitar suspeitas sobre os trabalhos da Infraero.
"A fiscalização da obra foi feita do início ao fim. A vistoria antes de sua liberação também foi executada corretamente. Mas reconheço que isso não deve ficar sem aprendizado. Vou propor que, daqui para frente, tenhamos um certificado", afirmou.
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