"Se decisão for me substituir, sairei sem problemas", diz presidente da Infraero
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que vai deixar o cargo "sem problemas" se o ministro Nelson Jobim (Defesa) decidir substituí-lo no comando da estatal. "Como gestor público, eu vejo a coisa de forma simples. Estou subordinado a autoridades que eu devo respeito. No cargo público, ninguém está seguro. Se a decisão for me substituir, sairei sem problemas", disse.
Questionado se considera justo deixar o governo enquanto diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) devem ser mantidos no cargo, Pereira esquivou-se da resposta. "Eu não me sinto e nunca me senti como juiz. Em termos de Justiça ou injustiça, prefiro me abster dessa resposta", afirmou.
A saída de Pereira da Infraero foi confirmada ontem por Jobim durante reunião de coordenação política do governo, no Palácio do Planalto. O ministro teria convidado Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil, para substituí-lo no cargo, mas o convite teria sido negado. A expectativa é que o ministro defina nos próximos dias um nome para substituir Pereira no comando da Infraero.
O brigadeiro admitiu no depoimento à CPI que as entidades que administram o setor aéreo poderiam ter tomado medidas preventivas para evitar novos acidentes depois da queda do Boeing da Gol, em setembro do ano passado. "Isso é fato", afirmou.
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) acusou o governo federal de omissão em relação ao aeroporto de Congonhas (SP), uma vez que o brigadeiro admitiu à CPI que o terminal operava em seu "limite" antes do acidente.
"Fica cada vez mais clara a responsabilidade dos que comandaram esse processo. Todas essas questões eram previsíveis e não foram solucionadas pelo governo", disse o deputado.
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