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Cotidiano
31/07/2007 - 19h14

Antes de acidente, 11 pilotos reclamaram da pista de Congonhas

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O livro de ocorrências da torre de controle do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, registrou queixas de pelo menos onze pilotos sobre as condições de pouso na pista principal do terminal na véspera do acidente com o Airbus-A320 da TAM. Em alguns casos, os comandantes chegaram a informar a torre de controle sobre dificuldades no pouso em conseqüência da pista estar "muito escorregadia".

As ocorrências foram registradas no dia 16 de julho, quando uma aeronave da empresa Pantanal derrapou na pista e foi parar no gramado de Congonhas após o pouso. No dia seguinte, quando ocorreu o acidente com o Airbus da TAM, também houve relato de ao menos um piloto sobre a pista escorregadia.

O livro registra que, após o pouso do vôo 1697 da Gol, no dia do acidente, houve inspeção na pista para constatar o nível de água acumulada. Depois da vistoria, a Infraero concluiu que não havia poças ou lâminas d'água que colocassem o pouso em risco.

Na véspera do acidente, o livro também registrou três medições do nível de água na pista pela Infraero. Em todas, técnicos da empresa consideraram que havia condições para manter o tráfego de aeronaves sem riscos aos pousos e decolagens.

Depoimento

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse em depoimento à CPI do Apagão Aéreo que muitos pilotos pousaram no mesmo dia na pista principal de Congonhas sem o relato de problemas à torre de controle.

"Não estou querendo desqualificar pilotos e já escorreguei em muitas pistas, porque eu também sou piloto. Nesse mesmo dia, outros 500 pilotos pousaram na mesma pista com a mesma chuva, o mesmo vento, dizendo que a pista era muito boa. Nós tivemos interesse em conversar com pilotos", disse.

Pereira reconheceu, no entanto, que "não há piloto nesse país que pouse em Congonhas sem acrescentar um pouco de adrenalina".

O brigadeiro reiterou que não acredita que a pista tenha provocado o acidente com o Airbus. "Se essa pista tiver alguma coisa a ver com esse acidente, eu gostaria de ter acesso a essa informação e voltar à CPI", disse.

Nos registros também constam a presença de dois funcionários da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) na torre de controle no momento do acidente em Congonhas. Segundo o livro de ocorrências, enquanto a aeronave da TAM pousava na pista principal um jato foi autorizado a decolar porque "não teve tempo de interromper a corrida de decolagem".

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