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Cotidiano
01/08/2007 - 09h07

Dados de caixa-preta podem aliviar pressão sobre governo, diz jornal

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da Folha Online

A possibilidade de que a caixa-preta do Airbus-A320 da TAM, que bateu em um edifício também da TAM no mês passado e que deixou 199 mortos, mostre que o acidente ocorreu devido a falha do piloto pode aliviar a pressão sobre o governo, "que muitos brasileiros ainda culpam pelo pior desastre aéreo do país", segundo reportagem desta quarta-feira no diário americano "The Washington Post".

Fontes ouvidas pelo jornal disseram ao "WP" que os investigadores trabalham com a hipótese de que o piloto do avião tenha ajustado incorretamente um dos manetes (alavancas de controle das turbinas), o que explicaria o desvio na pista molhada.

Desde o acidente, ocorrido no dia 17 de julho, o governo brasileiros tem recebido duras críticas pelo que muitos chamaram de "acidente esperando para acontecer", diz o "WP". "Familiares das vítimas têm feito protestos contra um governo que acreditam ter ignorado os claros sinais de perigo e negligenciaram as melhorias necessárias no aeroporto mais movimentado da América Latina", diz a reportagem.

A possibilidade de que tenha havido erro do piloto desviaria um pouco da culpa do governo, diz o jornal. "Se for verdade [a culpa do piloto], isso tirará alguma pressão de cima do governo, mas certamente não toda e nem mesmo a maior parte dela", disse ao "Washington Post" o cientista política da Tendências Consultoria, Rogerio Schmitt. "Mesmo se o piloto tiver comprometido o vôo, isso não muda o fato de que as condições do aeroporto estavam muito, muito ruins."

Após pousar em velocidade correta em Congonhas (cerca de 222 km/h), o avião da TAM não desacelerou como deveria. Perto já da pista, os pilotos "corretamente colocaram um dos motores em ponto morto, mas não fizeram o mesmo com o outro motor. Quando usaram os freios, o segundo motor automaticamente tentou acelerar para manter a velocidade programada. Isto fez o avião virar para a esquerda e tornou impossível parar", diz o texto.

O avião atravessou a pista do aeroporto, sobrevoou a avenida Washington Luís a pouquíssimos metros (chegando a tocar em carros) e se chocou a 175 km/h contra o prédio da TAM Express.

 

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