Para ex-comandante, piloto do vôo 3054 não errou
CÍNTIA ACAYABA
da Agência Folha
O ex-diretor da Associação dos Pilotos da Transbrasil e ex-piloto, Walter Chagas, que trabalhou cerca de 20 anos com o comandante Henrique Stephanini Di Sacco --do vôo JJ 3054 da TAM--, afirma que tem "certeza" que houve um problema com o Airbus-A320 e questiona se o avião envolvido no acidente havia passado por uma correção do sistema de manetes.
Para ele, é improvável que os dois pilotos da aeronave sejam os responsáveis pelo acidente ocorrido em Congonhas.
"É muito difícil acreditar na culpa desses dois pilotos. Eles foram vítimas, com certeza, de algum fato, de alguma coisa que levou a essa situação. Eles foram levados e não levaram a isso, porque havia uma deficiência pendente [o reverso direito inoperante]."
| Arquivo pessoal |
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| O piloto Henrique Stephanini Di Sacco, vítima do acidente |
Chagas afirma ainda que os manetes podem ter ficado travados em razão de um problema mecânico ou eletrônico.
"Fico com muita dificuldade em acreditar nesse erro da posição dos manetes. Os dois pilotos tinham muita experiência. O manete pode ter ficado preso mecanicamente. Ele pode ter trazido para a posição correta, mas o manete não permaneceu nela. Ou pode ter havido uma falha da parte de alimentação via computador. É muito precipitado colocar essa situação [de falha dos dois pilotos] como verdadeira", afirma.
Ele questiona se o avião da TAM atendeu à determinação da Airbus para correção do sistema de manetes.
"A Airbus emitiu um alerta para todas as operadoras que operam esse tipo de avião no mundo para corrigir o sistema de manetes. Não sei se a TAM atendeu a esse pedido."
A TAM não soube informar se recebeu o alerta.
Carreira brilhante
"Stephanini entrou na Transbrasil nos anos 80 como piloto operador de sistema e fez uma carreira brilhante. Ele voou em todos os equipamentos da empresa, desde o avião mais antigo até o mais moderno", afirma Chagas.
Como era diretor da associação dos pilotos, Chagas diz que teve acesso às avaliações técnicas e médicas de Stephanini e afirma que ele jamais ficou retido por qualquer problema.
"Ele nunca foi afastado por deficiência física ou técnica. Não consta da associação esse tipo de problema, Apesar dos exames da policlínica da Aeronáutica serem muito rigorosos, inclusive a análise psicológica, não há registro ou pendência dele na área médica", diz.
"Nós fizemos inúmeras viagens juntos ao Canadá e aos Estados Unidos, que são viagens estafantes, e eu não notei algum problema de saúde nele. Acho que ele nunca precisou de remédios", afirma.
De acordo com o ex-piloto, a cada seis meses o piloto é desligado da escala de vôo normal para fazer treinamentos e avaliações, inclusive em simuladores de vôo. "Nós jamais recebemos recomendações para que ele estudasse um tema específico [como decolagem ou pouso]", diz Chagas.
Com JOÃO CARLOS MAGALHÃES, da Agência Folha



