Familiares entregam manifesto à CPI cobrando investigação sobre acidente
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Um grupo de familiares de vítimas do acidente com o Airbus-A320 da TAM entregou nesta quinta-feira à CPI do Apagão Aéreo na Câmara um manifesto cobrando uma série de medidas para a identificação das causas que provocaram o choque da aeronave com o prédio da TAM Express, em Congonhas (SP), em 17 de julho. No manifesto, os familiares pedem a punição dos responsáveis pela tragédia que deixou cerca de 200 mortos.
"Exigimos uma investigação completa e transparente que resulte na verificação das causas, na identificação dos responsáveis, e posterior encaminhamento destas ao Ministério Público para instauração de processo cabível, julgamento e punição de todos os responsáveis", diz o manifesto.
No texto, os familiares também exigem a apuração das condições do setor aéreo nacional desde o acidente com o Boeing da Gol, em setembro de 2006. "Transcorridos menos de 10 meses da última tragédia que chocou e deixou o país em luto, nos deparamos com o mesmo sentimento e constatamos que pouco ou nada foi feito pelos órgãos competentes para a solução dos problemas, a fim de evitar novas tragédias anunciadas", afirma o manifesto.
Os familiares ainda pedem que o Legislativo encaminhe a conclusão das investigações da CPI ao governo federal e "cobre deste as devidas providências frente aos órgãos competentes".
Os parentes das vítimas alegam que a confiança no sistema de transporte aeroviário do país está "abalada" devido aos últimos acidentes no país. Eles também cobram das agências reguladoras maior fiscalização das companhias aéreas, uma vez "que têm o dever" de evitar que a segurança fique em segundo plano.
"Mesmo tendo a confiança e convicção de que nossos representantes eleitos honrem o mandato que receberam para defesa de nossos interesses, estaremos organizados e vigilantes acompanhando o andamento da CPI e dos processos desta originados. Não vamos permitir que também estes acabem em esquecimento, como tantos nos Brasil", encerra o texto.
Movimento
O manifesto é assinado por 43 parentes de vítimas do acidente. O administrador de empresas Luiz Fernando Moisés, que perdeu a mulher no acidente com o Airbus, foi pessoalmente à CPI, acompanhado de outros três familiares, para entregar o protesto. Ele disse que ainda não conseguiu identificar o corpo de sua mulher no IML (Instituto Médico Legal) devido às dificuldades para o reconhecimento.
Segundo Moisés, a maior preocupação dos parentes das vítimas é não conseguir receber indenização da TAM caso fique constatado que a causa do acidente foi falha humana. "Uma das coisas que queremos saber é se existe algo na apólice de seguro que diga que, se foi culpa do piloto, isso isenta a empresa de pagar seguro. Essa é a nossa grande dúvida e nossa grande preocupação", disse o administrador.
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