Presidente da TAM nega que falta de reverso seja causa de acidente
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara, o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, disse nesta quinta-feira que a inatividade do reverso direito do Airbus-A320 não pode ser apontado como causa do acidente com o vôo 3054 da empresa ocorrido no aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), no dia 17 de julho.
De acordo com Bologna, a decisão de "pinar" (travar) o reverso assegura maior segurança ao vôo e não é fator essencial para a frenagem do avião. "O reverso pinado não foi a causa deste acidente. O reverso não é o principal sistema de freios, não é ele que vai garantir a frenagem. Quando se faz a pinagem do reverso, é justamente por segurança para evitar que ele possa abrir em vôo", disse.
Bologna afirmou que, mesmo em pistas molhadas, o Airbus teria condições de pouso caso os dois reversos da aeronave estivessem pinados. O presidente da TAM afirmou que, depois do acidente, a empresa não emitiu nenhum boletim interno para orientar os pilotos a não pinarem os reversos.
"A possibilidade de pinagem é baixa. A frota da TAM não tem atualmente nenhum reverso nessa característica. A orientação que foi dada é que a gente consulte o fabricante e tome a decisão correta até o final da investigação", afirmou.
Apesar de não considerar a pinagem no reverso como uma das causas do acidente, Bologna evitou especular sobre os motivos que teriam provocado o choque do Airbus com o prédio da TAM Express, em Congonhas. "A gente sabe que o avião não desacelerou. Os fatores contribuintes para isso serão apurados na investigação. Qualquer tipo de ingerência que eu fizesse seria prematuro antes da conclusão das investigações", afirmou.
O presidente da TAM também evitou comentar a hipótese de que problemas no manete (sistema de frenagem do Airbus) teriam provocado o acidente. "Há conclusões sobre o manete, fator humano, pista de Congonhas. Tudo isso fará parte do conjunto das investigações."
Bologna disse, no entanto, que a ausência de grooving (ranhuras que auxiliam no escoamento de água) na pista de Congonhas dificultam o pouso de aeronaves no terminal. "A pista pelo fato de não ter tido o grooving tinha uma delicadeza maior. Se houvesse o grooving, a gente poderia ter situação mais tranqüila. Mas o procedimento naquele momento era adequado, baseado na medição de lâmina d'água", disse.
Relatório
O presidente da TAM confirmou que a companhia aérea recebeu um boletim de ocorrência na véspera do acidente com o Airbus escrito pelo comandante José Eduardo Brosco sobre dificuldades para frear a aeronave. Em depoimento à CPI esta semana, o comandante disse que pousou o Airbus Congonhas no dia 16 de julho com problemas no sistema de frenagem.
Brosco disse ter a impressão de que os freios manuais e automáticos da aeronave estavam com problemas, além da pista principal estar muito escorregadia.
Bologna disse que o relatório sobre o Airbus foi o único recebido pela TAM nos seis meses em que a aeronave estava em uso pela companhia aérea. "Vou deixar com a comissão o relatório que ele fez e enviou à empresa", afirmou.
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