Aviões devem usar o máximo do reverso em pista molhada, diz Anac
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Integrantes da CPI do Apagão Aéreo da Câmara divulgaram hoje resolução da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) editada em janeiro deste ano que determina às aeronaves pousarem em pistas molhadas com o "máximo" reverso das turbinas acionado. O Airbus-A320 da TAM --que chocou-se com um prédio da empresa em 17 de julho desta ano no aeroporto de Congonhas (SP)-- estava com apenas um reverso em funcionamento no momento do pouso apesar da torre de controle ter alertado os comandantes sobre a pista estar "molhada e escorregadia".
"Quando o aeroporto de pouso estiver com a pista molhada, a tripulação deve após o toque confirmar a abertura dos "grounds spoilers" e usar o máximo reverso assim que possível", diz a resolução.
O texto determina, ainda, que no momento da decolagem os reversos devem obrigatoriamente estar operando caso a pista também esteja molhada. "Quando o aeroporto de decolagem estiver com a pista molhada, a tripulação deve certificar-se de que o avião esteja com todos os sistemas necessários, operando notadamente o reverso, o antiskid, o autobreak, etc...", afirma o relatório.
Na conclusão do texto, a Anac reconhece que por muitos anos "não deu atenção" às operações de aeronaves em pistas molhadas uma vez que tráfego aéreo era muito menor que o registrado atualmente. Com o aumento no volume de aeronaves em operação, a agência pede que as companhias aéreas sigam as orientações presentes na resolução apesar de reconhecer que o texto "não é a única forma para o atendimento dos requisitos" necessários à segurança aérea.
O vice-presidente de operações da TAM, Rui Amparo, disse que as aeronaves possuem um manual que reúne todas as orientações determinadas pela Airbus e pela própria Anac. Amparo disse, no entanto, que a Anac permite aos fabricantes da aeronave repassarem informações adicionais às companhias aéreas.
"O que vai a bordo e que vale para os pilotos e está em todos os manuais, tem que ser único. Cabe à empresa e à Anac compilarem todas as técnicas de segurança que estão em um único manual a bordo. Não existe nenhum conflito entre os manuais da Airbus e o que a Anac preconiza", rebateu Amparo.
Estratégia
O deputado Vic Pires (DEM-PA) pediu que o presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, lesse durante seu depoimento esta manhã à CPI o trecho da resolução da Anac referente ao reverso. Ao fazer a leitura, Bologna pulou a parte do texto que fala sobre a necessidade do mecanismo estar em funcionamento no momento da decolagem ---o que gerou a desconfiança de parlamentares da comissão.
"Certamente ele estava se protegendo porque nesse item [da resolução] houve descaso da empresa. Um reverso não seria suficiente nas condições que a aeronave estava operando", afirmou o deputado Miguel Martini (PHS-MG), ex-controlador de vôo.
Para Vic Pires, a TAM é obrigada a cumprir a resolução editada pela agência que regulamenta o setor aéreo. "Se um avião está com um de seus reversos parados, ele não poderia estar operando no máximo das suas forças como afirma a resolução", disse o deputado.
Bologna rebateu as acusações dos deputados ao afirmar que a resolução da Anac não se sobrepõe ao manual presente no interior das aeronaves. "O avião tinha um reverso pinado [travado], mas isso tem que ser lido em seu todo. Não é essa comunicação que vai para dentro de bordo. Dentro de bordo, o manual é a bíblia", disse.
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