Parentes de vítimas de vôo 3054 pedem a Lula que investigação continue
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Depois de quase uma hora e meia de espera, familiares das vítimas do vôo 3054 da TAM conseguiram conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça, Tarso Genro. Antes da reunião, eles tiveram que aguardar o final do encontro do presidente com o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB).
Na conversa com Lula e Tarso, os parentes das vítimas do Airbus-A320 pediram que o governo federal prossiga com as investigações sobre o acidente, ocorrido no dia 17, busque os responsáveis e garanta mais segurança aos passageiros. A reunião durou cerca de 50 minutos, no Palácio do Planalto.
"Nós queremos acreditar nas instituições. Pedimos que as causas sejam apuradas e que as conclusões só ocorram após todas as investigações", disse Sabrina Bianchi, irmã de Nádia Bianchi, morta no acidente. Ao longo do dia, Sabrina e mais dois representantes das famílias estiveram no Senado e na Câmara, onde entregaram manifestos pedindo providências.
Ao ser informado sobre a decisão da Comissão de Ética Pública, que apenas recomendou ao assessor de Lula Marco Aurélio Garcia que evite atitudes grosseiras, um dos familiares lamentou a reação do governo federal. Garcia foi flagrado fazendo gestos obscenos supostamente para comemorar uma falha mecânica na aeronave acidentada.
"O pior é o ato em si [os gestos obscenos]. O pior é imaginar que alguém pense assim. A nossa dor é irreparável", disse Luiz Fernando Moisés, marido de Nádia Bianchi.
Os familiares das vítimas se queixaram também do vazamento de parte das informações contidas nas caixas-pretas do Airbus-A320. Segundo eles, divulgar apenas parte do que havia não contribui para as investigações e ainda agrava a dor dos parentes. "Foi um sensacionalismo barato. Somente as vozes serviram para aumentar a nossa dor", afirmou Moisés.
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