Metrô ameaça demitir metroviários que não retornarem ao trabalho
CLAYTON FREITAS
da Folha Online
O diretor de assuntos corporativos do Metrô, Sérgio Avelleda, disse nesta sexta-feira que os metroviários que não retornarem ao trabalho ainda hoje podem ser demitidos.
A paralisação dos metroviários teve início na quinta-feira (2) e prossegue nesta sexta-feira. A categoria se reúne hoje na sede do sindicato para decidir se retornam ou não ao trabalho. A greve afeta 2,4 milhões de pessoas (80% do total de usuários do sistema) e gerou caos no trânsito.
As únicas estações do metrô que funcionam são as da linha 1-azul, e as da linha 2-verde, somente entre entre Ana Rosa e Clínicas. A prefeitura suspendeu o rodízio e a SPTrans (empresa que gerencia o sistema de transporte na cidade de São Paulo) criou uma linha especial para atender a população da zona leste prejudicada pela paralisação dos metroviários
A Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) se reuniu na tarde de hoje e decidiu que a greve é abusiva e determinou a volta imediata dos metroviários ao trabalho. A categoria parou a 0h de quinta-feira (2), prejudicando 2,4 milhões de pessoas (80% da média diária) e gerando caos no trânsito e no sistema de transporte da cidade.
Avelleda participou da sessão. Ao sair, disse que a maior preocupação era retomar o serviço e colocar os trens em funcionamento. "Se os trabalhadores não voltarem todas as conseqüências legais e autorizadas pela direção do TRT serão imediatamente adotadas, como, por exemplo, a demissão caso não haja retorno", afirmou o diretor.
Ele disse não considerar a hipótese dos trabalhadores não voltarem a seus postos. Segundo ele, a partir do momento em que os metroviários retornarem, demorará de duas a três horas para que o sistema opere novamente em sua totalidade.
Momentos depois de ter mencionado a decisão, Avelleda relativizou sua fala. O diretor afirmou que antes de as decisões serão tomadas com base no teor do acórdão do TRT que determinou a volta dos metroviários ao trabalho.
Sessão
Além da juíza relatora, Catia Lungov, cinco magistrados participaram da sessão. Eles seguiram o voto da juíza relatora e determinaram pela abusividade do movimento grevista.
Em sua análise, a juíza relatora menciona quatro outras paralisações dos metroviários. Ela classificou a atual greve como "selvagem e abrupta" e deflagrada antes de uma solução negociada. "A luta (dos metroviários] parece interminável e os malefícios, incalculáveis", disse.
Cátia mencionou o tumulto de ontem na estação da Luz, no centro de São Paulo, e o caos provocado no trânsito de São Paulo devido à greve. Os juízes decidiram enviar ofícios para a Secretaria de Segurança Pública e para a Secretaria de Transportes da Prefeitura para solicitar um melhor tratamento aos usuários do sistema nas áreas de segurança e transporte público.
O relatório da juíza condena ainda os metroviários por litigância de má-fé (condenação que inclui a indenização à parte contrária) e aplicou mais uma multa ao sindicato, no valor de 5% sobre o valor da 1,5 folha de salários líquida do Metrô.
A juíza negou a estabilidade aos grevistas [em casos de julgamento de dissídio é comum estabelecer até 90 dias de garantia do emprego) e determinou o desconto dos dias parados dos grevistas. As entidades beneficiadas (Hospital São Paulo, Hospital das Clínicas e Santa Casa de Misericórdia de São Paulo) deverão receber R$ 100 mil a cada dia de paralisação dos metroviários.
Para presidente da sessão, juiz Nelson Nazar, a greve é "inteiramente ilegal e abusiva". Ele afirmou que em caso de descumprimento da decisão de hoje, os metroviários podem ser processados criminalmente. Nazar disse ainda que a medida não depende de publicação para ter seus efeitos postos em prática. "Com certeza haverá punição mas essa é uma questão interna do Metrô. [O Metrô] já pode agir. O prazo foi dado com a proclamação do resultado", afirmou.
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