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Cotidiano
05/08/2007 - 11h01

Segunda pista em Viracopos vai atingir bairro de alto padrão em Campinas

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MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Campinas

A desapropriação para a construção da segunda pista do aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas (95 km de São Paulo), vai atingir cerca de 200 famílias numa área que concentra clubes de pólo e haras de alto padrão, além de sítios e fazendas.

O plano diretor anterior --alterado em 2005, um ano antes das eleições-- previa a construção da segunda pista no lado oposto do aeroporto, onde vivem hoje entre 55 mil e 60 mil pessoas, em 12 bairros de classe média baixa.

A Infraero, estatal que administra os aeroportos, começará a pagar as indenizações ainda neste ano às cerca de 200 famílias. Segundo o superintendente regional do Sudeste da Infraero, Edgard Brandão Júnior, a estimativa é que sejam pagos cerca de R$ 157 milhões. "Estamos tentando antecipar esse quadro, para concluir as desapropriações até 2009", disse.

Além de famílias em chácaras e sítios e dos clubes de pólo e haras, também há nascentes de rio, vegetação remanescente do cerrado e criação de animais. O estudo de impacto ambiental ainda não foi iniciado.

A presidente da Proesp (Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies) de Campinas, Márcia Corrêa, disse que as nascentes que existem na nova área abastecem o rio Capivari.

O local também abriga famílias de descendentes de imigrantes suíços e alemães que habitam a região desde o século retrasado. O aeroporto surgiu depois, na década de 1930.

A construção da segunda pista de Viracopos é considerada estratégica pela Infraero, que pretende usar o aeroporto para "desafogar" o tráfego aéreo.

Os moradores, porém, se queixam da falta de informações sobre a desapropriação e dizem que não podem reformar o imóvel ou negociá-lo. Em 2006, a prefeitura decretou a área de utilidade pública.

"Estamos vivendo em uma área fantasma. É uma falta de respeito com os moradores. Estão mexendo com os nossos sentimentos, pois não temos qualquer informação. Tem gente de idade que ficou doente por causa disso", disse Dinorá Pires, 46, que preside a Associação de Amigos dos Bairros Pouso Alegre e Vista Alegre.

Ela diz ter recebido a visita de um técnico da Infraero na semana passada. "Desta vez vai sair mesmo. É inevitável. Parece que o caos aéreo vai forçar essa ampliação", afirmou.

Os moradores dizem que foram pegos de surpresa no final de 2005 com o anúncio do governo federal e da Prefeitura de Campinas sobre a mudança de localização da segunda pista.

Na ocasião, em 2005, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a discursar em Viracopos que a segunda pista seria construída de qualquer forma, "nem que fosse redonda".

Desde a década de 70, o plano diretor de Viracopos previa a construção da segunda pista em outra área -que passou por adensamento populacional por causa de invasões. Antes, o custo da desapropriação dessa área chegaria a R$ 360 milhões, que seriam revertidos às 5.000 famílias que lá moravam, à época. Na área mais valorizada, o custo será de R$ 157 milhões.

"A sensação que temos é de que os governos priorizaram as áreas onde existem invasões em detrimento da área rural, onde vivem pessoas que têm a posse legal da terra", disse Elisabeta Novak, que trabalha com a criação de cavalos.

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