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Cotidiano
07/08/2007 - 02h39

Justiça decreta prisão de proprietário da boate Bahamas

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da Folha Online

O juiz da 5ª Vara Criminal de São Paulo, Edson Aparecido Brandão, decretou na noite de ontem (6) a prisão preventiva do empresário Oscar Maroni Filho, dono da boate Bahamas, que fica em Moema (zona sul de São Paulo). Investigado desde 2004, o empresário acabou denunciado (acusado formalmente) pelo Ministério Público na semana passada, depois de declarar que a boate promove "prostituição de luxo".

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Secretaria da Segurança Pública não informou se a Polícia Civil tentou prender o empresário desde ontem ou se ele é considerado foragido.

"Sim, é prostituição de luxo sim, não vamos ser hipócritas", afirmou o empresário ao "Jornal da Noite", da TV Bandeirantes.

De acordo com o promotor de Justiça José Carlos Blat, a prisão preventiva de Maroni Filho foi decretada com base na "garantia da ordem pública". O empresário responde a processo por favorecimento da prostituição, exploração de casa de prostituição, tráfico de pessoas e formação de quadrilha ou bando.

"Ele costuma zombar as autoridades e acha que ficará impune porque tem amigos poderosos", criticou o promotor.

O embate entre o empresário e a Prefeitura de São Paulo se agravou semanas atrás, após o acidente com o vôo 3054 da TAM, em Congonhas (zona sul de São Paulo). Com 11 andares, o hotel passou a ser considerado um risco à aviação. Segundo a prefeitura, a obra --que dura cinco anos-- não corresponde à planta aprovada e, pior: transformou-se de prédio comercial em hotel. No último dia 26, a prefeitura lacrou o hotel.

O foco foi desviado do hotel para a boate depois de o empresário ter declarado atuar em "prostituição de luxo". Dias após a exibição da entrevista, a prefeitura cassou o alvará de funcionamento do Bahamas e o fechou. O empresário protestou e, em entrevista à Folha, disse que o estabelecimento "é um restaurante, um balneário e um hotel, freqüentado por homens, mulheres e casais".

"Eu não promovo prostituição. O que seria ilegal é eu ter participação no lucro das mulheres."

Passagem subterrânea

De acordo com o promotor de Justiça que pediu a prisão de Maroni Filho, na decisão, o juiz ainda determinou que a Secretaria de Habitação, o Contru (Departamento de Controle e Uso de Imóveis) e a Aeronáutica prestem informações sobre o hotel em construção. O processo, iniciado em 2004, acusa Maroni Filho de planejar integrar o hotel à casa de prostituição por meio de uma passagem subterrânea.

No processo, de acordo com Blat, declarações de clientes de 22 das 150 prostitutas que trabalham na boate confirmam a exploração da prostituição.

Segundo o promotor, Maroni Filho foi denunciado também por tráfico de pessoas devido ao concurso Miss Garota de Programa, promovido em todo o país. O concurso oferecia prêmio de R$ 20 mil, viagem a Las Vegas (Estados Unidos) e divulgação à vencedora.

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