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Cotidiano
27/06/2001 - 14h57

Ex-secretário diz que só soube do massacre depois e elogia coronel

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GUTO GONÇALVES
da Folha Online

O ex-secretário da Segurança Pública Pedro Franco de Campos reafirmou hoje, em depoimento no julgamento do coronel Ubiratan Guimarães, que só tomou conhecimento dos fatos após o massacre do Carandiru ter acontecido. Campos é uma das quatro testemunhas de defesa do caso.

O ex-secretário disse que foi comunicado do que havia ocorrido no presídio pelo então secretário-adjunto Antônio Luiz Filardi_ que também faz parte do quadro de testemunhas de defesa.

Campos disse que, na época, autorizou o coronel Ubiratan a tomar as atitudes que fossem necessárias na rebelião. Ele fez vários elogios ao coronel e disse que tomaria as mesmas atitudes se houvesse hoje uma rebelião semelhante a de 2 de outubro de 1992. Essa posição é a mesma assumida pelo ex-governador Fleury Filho.

"O coronel Ubiratan é um PM exemplar, sério, competente, preocupado com a segurança pública, um líder nato. O considero um policial equilibrado", disse.

Ao ser questionado pela promotoria, o ex-secretário disse desconhecer os planos táticos da PM para rebeliões no Carandiru. "Nunca li esses documentos", disse. O plano é um documento oficial da polícia que orienta a conduta dos policiais em rebeliões.

A promotoria perguntou ao ex-secretário se ele tinha conhecimento sobre uma transferência de bens realizada pela PM ao coronel Ubiratan. O secretário disse desconhecer essa medida. Procurada pela reportagem, a promotoria não quis dar maiores detalhes sobre o assunto.

Para dar provas de que desconhecia a ação da PM durante a rebelião, Campos afirmou que não sabia o número exato de mortos no presídio. "No decorrer do dia me disseram 8, 300, 50, 75. O número exato só fiquei sabendo após tudo ter terminado. O governador só soube de todos os fatos no dia seguinte quando leu o relatório final completo sobre o massacre", disse.

O ex-secretário disse que só soube que Ubiratan havia na rebelião após a saída da PM. O coronel se machucou 10 minutos após a invasão da polícia no presídio.

Momento de tensão

Durante seu depoimento à promotoria houve um momento de tensão. O promotor Felipe Locke Cavalcanti ficou irritado ao querer saber por que o secretário não averiguou logo em seguida ao massacre se as armas dos policiais envolvidos haviam sido recolhidas. É conduta normal da polícia o recolhimento de armas após uma rebelião em que se tenham feridos ou mortos.

O ex-secretário disse ainda que determinou o recolhimento das armas, mas disse que não sabe se a medida foi adotada. As armas só foram apreendidas três dias depois.

Outro fato que Campos disse desconhecer foi a indicação do então procurador -geral do Estado, Antônio Aral Ferraz Dal Pozzo _maior autoridade do Ministério Público na época_, ao cargo de secretário do governo Fleury.

O depoimento de Campos foi interrompido para o almoço dos sete jurados. Após o ex-secretário, devem depor os juízes-corregedores da época, Ivo de Almeida e Fernando Antônio Torres Garcia.

Na platéia acompanhou hoje o julgamento o deputado e ex-PM Conte Lopes, amigo pessoal de Ubiratan. Ele disse que o coronel não pode ser julgado porque participou da ação apenas por 10 minutos.
 

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