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Cotidiano
07/08/2007 - 18h15

Traficante colombiano preso no Brasil havia movimentado US$ 10 bi

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CAROLINA FARIAS
da Folha Online

O traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, o Chupeta, havia movimentado US$ 10 bilhões (R$ 19 bilhões) nos últimos dez anos, de acordo com a Polícia Federal. Apontado como líder do cartel colombiano Norte del Valle, Chupeta foi preso em Aldeia da Serra, condomínio de luxo em Barueri (Grande São Paulo).

Segundo as investigações da PF, o traficante usava o Brasil para lavar o dinheiro obtido com o tráfico. Os ganhos saíam dos EUA e da Europa, passavam pelo México ou Espanha e entrava no Uruguai, sempre no mesmo banco.

Rivaldo Gomes/Folha Imagem
Casa em condomínio de luxo na Grande São Paulo em que PF prendeu traficante colombiano
Casa em condomínio de luxo na Grande São Paulo em que PF prendeu traficante colombiano

De lá, o dinheiro era investido em empresas registradas em nomes de laranjas. De acordo com PF, os negócios eram variados: lojas de carros, lojas de lanchas, imóveis, fazendas e uma empresa de importação e exportação.

As investigações duraram cerca de dois anos. A PF trocou informações com as polícias dos Estados Unidos, da Espanha, da Colômbia e do Uruguai e descobriu que Chupeta estava no Brasil desde 2005 e que já havia passado por ao menos outros três Estados --Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro-- antes de São Paulo, onde já havia morado na capital, em Jundiaí e em Campinas, além de Barueri.

Considerado herdeiro do cartel de Cáli, também na Colômbia, Abadia já havia enviado ao menos mil toneladas de cocaína para os Estados Unidos. Ele permanecerá preso, à disposição da Justiça, na Superintendência Regional da PF (zona oeste de São Paulo) até que o STF (Supremo Tribunal Federal) avalie o pedido de extradição feito pelos americanos.

Luxo

Durante o tempo em que foi investigado, Chupeta pouco saiu de casa. Segundo a PF, ele evitava contato com pessoas que não conhecia. "Ele mantinha casas de alto padrão e bem equipadas para não precisar sair delas", diz Fernando Francischini, chefe do setor de entorpecentes da PF.

Sebastião Moreira/Efe
Juan Carlos Ramirez Abadia, preso nesta terça-feira em SP
Juan Carlos Ramirez Abadia, preso nesta terça-feira na Grande SP

Na casa --de quatro suítes-- foram apreendidos 150 celulares, US$ 544 mil (R$ 1,03 milhão), 250 mil euros (R$ 655 mil) e R$ 55 mil, tudo em dinheiro. "Todo esse valor estava escondido em diversos compartimentos secretos dentro da casa, como caixas de som", diz Franceschini.

A PF ainda avalia o tamanho do patrimônio do traficante no Brasil. "Ele tinha até jatinhos particulares e uma lancha de 52 pés", diz o superintendente da PF em São Paulo, Jaber Saadi.

Condenação

Em 1996, quando Abadía se entregou à polícia colombiana, os Estados Unidos pediram a extradição dele pelo "suposto envolvimento" dele com o cartel, mas não foram atendidos. Na ocasião, o traficante confessou ter enviado 30 toneladas de cocaína aos Estados Unidos e atuado no cartel de Tijuana (México). Com a confissão, o colombiano acabou beneficiado e, embora tenha sido condenado a 23 anos de prisão, foi solto em 2002.

Divulgação
Foto de Juan Carlos Ramirez Abadia divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA
Foto de Juan Carlos Ramirez Abadia divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA

Cirurgias

O ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, disse em entrevista à rádio local "W" que, desde que foi solto, Abadia fez quatro cirurgias plásticas para modificar a fisionomia e, assim, escapar da polícia.

Histórico

Conforme a Polícia Nacional da Colômbia, Abadia está envolvido com o tráfico desde 1986. "Ele criou sua própria rede distribuidora na cidade de Nova York, convertendo grande parte de seu capital fruto de negócios ilegais em bens dos quais a maioria está em nome de seus familiares e de terceiros", afirma a polícia.

O traficante, segundo a Polícia Nacional, tem "perfil violento tanto com sócios e colaboradores como com as autoridades que o perseguem".

"Informações dão conta de que ele [Abadia] é o autor intelectual de várias execuções de pessoas a serviço do narcotráfico e de familiares, sócios e colaboradores do extraditado Victor Patiño Fomeque, em retaliação por tê-lo acusado perante as autoridades norte-americanas."

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