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Cotidiano
07/08/2007 - 19h42

Destino de recompensa de US$ 5 mi por prisão de colombiano está indefinido

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CAROLINA FARIAS
da Folha Online

O destino da recompensa de US$ 5 milhões (R$ 9,5 milhões) pela captura do traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadia, 44, o Chupeta, ainda é incerto. O prêmio era oferecido pelo governo dos Estados Unidos a quem desse informações que levassem à prisão do colombiano. Chupeta era um dos traficantes de drogas mais procurados do mundo.

Chupeta foi preso nesta terça-feira em um condomínio de luxo na Grande São Paulo. Segundo o delegado Fernando Francischini, que coordenou a operação, os países que procuravam o traficante avaliam quem deve ficar com a recompensa, que pode ficar com a PF.

Abadia foi detido pela Operação Farrapos, junto com mais 13 pessoas --dez brasileiros e três colombianos. Foram expedidos 17 mandados de prisão. Outros quatro procurados, todos colombianos, estão foragidos.

Rivaldo Gomes/Folha Imagem
PF encontrou dólares e euros na casa do traficante colombiano preso na Grande SP
PF encontrou dólares e euros na casa do traficante colombiano preso na Grande SP

No Brasil há ao menos dois anos, de acordo com as investigações, Chupeta usava laranjas para lavar dinheiro vindo do tráfico de drogas do cartel colombiano Norte del Valle --que substituiu o cartel de Cali.

Em dez anos, Abadía, por meio do cartel, movimentou US$ 10 bilhões e enviou aos Estados Unidos mil toneladas de cocaína.

Segundo a PF, Chupeta agiu em São Paulo, Rio, Minas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O nome Farrapos foi escolhido como alusão ao início das atividades do traficante no Brasil. 'Ele agenciava pessoas humildes para usar como laranjas no Rio Grande do Sul. Por isso colocamos o nome da operação de Farrapos', explicou Francischini.

Além de tráfico, de acordo com a PF, Abadia também é procurado por homicídios --15 nos Estados Unidos e 300 na Colômbia. No Brasil ele não teria cometido nenhum assassinato, segundo a PF.

Extradição

Os Estados Unidos pediram ao Ministério da Justiça do Brasil a extradição de Abadia. Cabe agora ao STF (Supremo Tribunal Federal) decidir pela entrega ou não de Chupeta ao governo norte-americano.

Sebastião Moreira/Efe
Juan Carlos Ramirez Abadia, preso nesta terça-feira na Grande SP
Juan Carlos Ramirez Abadia, preso nesta terça-feira na Grande SP

De acordo com o ministério, o pedido de extradição já foi feito, mas a Polícia Federal precisa comunicar oficialmente sobre a prisão do traficante ao ministério para que o órgão encaminhe o caso ao STF.

Na Colômbia, Abadia já cumpriu pena. Em 1996, ele se entregou à polícia colombiana e, na ocasião, o traficante confessou ter enviado 30 toneladas de cocaína aos Estados Unidos e atuado junto ao cartel de Tijuana (México). Com a confissão, o colombiano acabou beneficiado e, embora tenha sido condenado a 23 anos de prisão, foi solto em 2002.

Na época, os Estados Unidos pediram a extradição de Abadia pelo 'presumível envolvimento' com o cartel, mas o pedido não foi atendido pela Colômbia.

 

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