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Cotidiano
08/08/2007 - 08h36

Banco de vozes ajudou na identificação de traficante colombiano

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MARIO CESAR CARVALHO
da Folha de S.Paulo

Como você sabe que prendeu o traficante certo quando ele passou por pelo menos três operações plásticas só no período em que viveu no Brasil? Como provar que Juan Carlos Abadía é Juan Carlos Abadía quando ele já não tem as mesmas feições?

Se a Polícia Federal brasileira estivesse sozinha na investigação de dois anos, teria dificuldades enormes para provar que Juan Carlos Abadía era Marcelo Javier Unzue --o nome falso que ele usava no Brasil.

A prova judicial só foi obtida com a ajuda do DEA (Drugs Enforcement Agency, a agência de combate às drogas).

A agência americana tem um banco de vozes justamente para ter provas contra traficantes que fazem cirurgias plásticas, uma extravagância da ficção barata que se tornou rotina no mundo do narcotráfico. A voz é uma identidade tão fidedigna quanto a impressão digital, mas seu uso ainda é restrito. Quase não é usada porque poucas polícias têm banco de vozes.

Não é a primeira vez que o DEA ajuda a Polícia Federal quando há dúvidas judiciais sobre a identidade de um traficante. No ano passado, a agência americana permitiu que policiais brasileiros ouvissem presos nos EUA sobre o mexicano Lucio Rueda Bustos.

Lucio viveu em Balneário Camboriú, Curitiba e no interior de São Paulo com identidade falsa (Ernesto Plascência San Vicente). Foram os traficantes presos nos EUA que confirmaram que San Vicente era Lucio, um dos homens do Cartel de Juárez, que chegou a movimentar US$ 200 milhões por mês nos anos 90.

Com a identificação, Lucio foi condenado a dez anos de prisão sem ter traficado um grama de pó no Brasil --a pena foi por lavagem de dinheiro.

 

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