"Não discuto teses, teorias, discuto resultados", diz Jobim à CPI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O ministro Nelson Jobim (Defesa) disse nesta quarta-feira em depoimento à CPI do Apagão Aéreo no Senado que não está disposto a discutir hipóteses para solucionar os problemas dos controladores de vôo do país, e sim resultados concretos.
Ao citar uma frase do líder comunista chinês Deng Xiaoping, Jobim disse que vai cobrar soluções efetivas para a crise aérea --sem descartar a desmilitarização do controle aéreo nacional.
"Por questão de formação filosófica, não discuto teses, teorias, discuto resultados. Eu quero saber o que funciona, o que lembra frase de Deng Xiaoping: não importa a cor do gato, mas que ele coma o rato. O que temos que fazer é comer o rato", disse Jobim.
Segundo o ministro, a discussão sobre desmilitarizar o controle aéreo nacional só tem sentido se for trazer resultados concretos para o setor. "Não me interessa discutir desmilitarização, mas o que funciona ou não."
Jobim disse que, atualmente, há 2.849 controladores civis e militares em atividade no país. Outros 236, segundo ele, estão em treinamento para assumirem as funções "o mais breve possível".
O ministro adotou a mesma postura ao comentar eventuais mudanças na estrutura da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). "Não sou parceiro para discutir teorias, mas para discutir modelo de aviação civil que funcione. O senhor é favorável ou não às agências? A pergunta não faz sentido. Só se ela tiver um referencial pragmático."
Segurança
O ministro enfatizou à CPI que sua principal preocupação é garantir a segurança dos passageiros de transporte aéreo. Jobim fez um ranking do que considera os três "paradigmas" para o setor aéreo brasileiro: segurança, regularidade e pontualidade.
"É nessa ordem. Eu posso sacrificar a pontualidade pelo bem da segurança, mas não posso sacrificar a segurança em prol da pontualidade."
A segurança, segundo o ministro, inclui a atenção especial para os terminais dos aeroportos, pistas de pouso e decolagem, além do tráfego aéreo. A manutenção das aeronaves, de acordo com Jobim, também está incluída entre as prioridades do governo para o campo da segurança.
Culpados
Jobim disse que não vai procurar culpados pela crise vivida pelo setor aéreo, mas sim trabalhar para resolver os problemas que são recorrentes nesse campo. "Não estou preocupado em retaliar o passado, buscar responsabilidades. Quero olhar o futuro", afirmou.
À CPI, o ministro defendeu mudanças na malha aérea nacional para fortalecer a aviação regional brasileira. Na opinião de Jobim, o governo também deve discutir do uso de aeronaves de menor porte capazes de abrigar parte dos passageiros do interior do país.
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