28/06/2001
-
14h36
da Folha Online
O diretor técnico do Instituto de Criminalística, Osvaldo Negrini Neto, é considerado uma das principais testemunhas de acusação contra o coronel da reserva Ubiratan Guimarães, comandante da morte de 111 presos no presídio do Carandiru, em 92.
Em seu relatório sobre o massacre, o perito demonstra que os policiais militares dispararam contra os presos com metralhadoras, fuzis e pistolas automáticas, visando principalmente a cabeça e o tórax.
Foram disparados 515 tiros ao todo durante o massacre sendo que mais de 70% foram na região da cabeça e da nuca. O restante atingiu o peito e as costas. Dos 111 mortos, 103 foram vítimas de disparos e 8 morreram devido a ferimentos promovidos por objetos cortantes. Na operação foram usados cachorros para atacar os detentos feridos.
Outro ponto fundamental do relatório de Negrini Neto é o que comprova que os disparos na penitenciária foram realizados de fora para dentro das celas, ou seja, não há a provas de nenhum tiro disparado por presos do interior das celas.
As marcas dos tiros na parede não atingem nunca a altura de um homem em pé. A direção dos disparos demonstra que os presos estavam ajoelhados ou deitados quando foram mortos. As balas fizeram uma trajetória de cima para baixo.
O advogado de defesa Vicente Cascione tenta desautorizar o relatório do perito. Para ele, que as conclusões de Negrini Neto não podem ser consideradas peças dos autos uma vez que o cenário do massacre foi alterado por PMs e que as armas utilizadas por eles só foram entregues à perícia 11 dias depois. "Foi tudo modificado, nada tem validade", disse.
Perito diz que maioria dos tiros no massacre atingiu cabeça dos presos
Publicidade
GUTO GONÇALVESda Folha Online
O diretor técnico do Instituto de Criminalística, Osvaldo Negrini Neto, é considerado uma das principais testemunhas de acusação contra o coronel da reserva Ubiratan Guimarães, comandante da morte de 111 presos no presídio do Carandiru, em 92.
Em seu relatório sobre o massacre, o perito demonstra que os policiais militares dispararam contra os presos com metralhadoras, fuzis e pistolas automáticas, visando principalmente a cabeça e o tórax.
Foram disparados 515 tiros ao todo durante o massacre sendo que mais de 70% foram na região da cabeça e da nuca. O restante atingiu o peito e as costas. Dos 111 mortos, 103 foram vítimas de disparos e 8 morreram devido a ferimentos promovidos por objetos cortantes. Na operação foram usados cachorros para atacar os detentos feridos.
Outro ponto fundamental do relatório de Negrini Neto é o que comprova que os disparos na penitenciária foram realizados de fora para dentro das celas, ou seja, não há a provas de nenhum tiro disparado por presos do interior das celas.
As marcas dos tiros na parede não atingem nunca a altura de um homem em pé. A direção dos disparos demonstra que os presos estavam ajoelhados ou deitados quando foram mortos. As balas fizeram uma trajetória de cima para baixo.
O advogado de defesa Vicente Cascione tenta desautorizar o relatório do perito. Para ele, que as conclusões de Negrini Neto não podem ser consideradas peças dos autos uma vez que o cenário do massacre foi alterado por PMs e que as armas utilizadas por eles só foram entregues à perícia 11 dias depois. "Foi tudo modificado, nada tem validade", disse.


