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Cotidiano
09/08/2007 - 12h39

Relator pode isentar pista de Congonhas em acidente com vôo da TAM

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O relator da CPI do Apagão da Câmara, Marco Maia (PT-RS), sinalizou nesta quinta-feira que a pista do aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo) pode não ter sido um dos fatores que contribuiu para a ocorrência do acidente com o Airbus-A320 da TAM. Mas ele disse que as suspeitas sobre a pista não serão descartadas até a confrontação de informações com os dados contidos nas caixas-pretas da aeronave.

"A [suspeita sobre a] pista vai se afastando como sendo um fator preponderante na questão do acidente", disse Maia. "Eu [ainda] não descartaria a pista porque a gente vai ter de confrontar com os dados da caixa-preta."

O presidente em exercício da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também concordou com o relator. Segundo Cunha, cada vez mais "está afastada a possibilidade" de a pista ter sido um dos fatores que contribuiu para a ocorrência do acidente com o vôo 3054 da TAM.

Porém, opinião do presidente e do relator em desconsiderar as suspeitas sobre a pista é rebatida por integrantes da comissão. O deputado Ivan Valente (PSOL-SP) disse que é prematuro descartar as dúvidas que envolvem a pista de Congonhas. "É uma posição precipitada. Nós não podemos tirar conclusões sem levar em conta o conjunto de fatores que envolve o acidente", afirmou Valente.

Para o deputado Vic Pires (DEM-PA), a pista continua sendo um dos principais fatores a ser considerado nas investigações. "Ao meu ver a pista continua sendo um fator preponderante. Liberar a pista foi o limite da irresponsabilidade. Não digo que ela, a pista, foi a única causadora do acidente, mas deve ser considerada, sim", afirmou Pires.

Controladores

Em depoimentos prestados nesta quinta-feira, os controladores militares Luana Morena Maciel Araújo e Celso Domingos Alves Júnior, além dos civis Ziloá Miranda Pereira e Eduardo Dayrel, detalharam algumas operações freqüentes em Congonhas. De acordo com Alves Júnior, que autorizou o pouso do Airbus-A320, os pilotos não relataram dificuldades.

No entanto, durante a divulgação de trechos do áudio dos diálogos entre os pilotos e a torre de controle, um controlador disse que a pista estava escorregadia e outro afirmou que estava molhada. Para Marco Maia, essa diferença entre escorregadia e molhada apresenta uma contradição que deve ser analisada em conjunto com as demais informações contidas nas caixas-pretas. "Pode ter ocorrido uma falha de comunicação, uma contradição."

Ainda hoje a CPI do Apagão da Câmara ouvirá o depoimento de Yannick Malinge, vice-presidente de segurança de vôo da empresa Airbus --fabricante da aeronave que se acidentou no último dia 17, matando 199 pessoas.

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